Enquanto denúncias de que buracos que não existem são tapados pela Prefeitura de Campo Grande, que gasta, por ano, R$ 155 milhões com manutenção de vias, a população é obrigada a usar seus próprios meios para solucionar os problemas que se agravam a cada chuva. No Jardim Batistão, zona sul de Campo Grande, a falta de asfalto é uma reclamação antiga dos moradores.
Cansado da situação que se agrava com a chuva, o morador Evaldo Corrêa Teixeira, 44 anos, usou o betume que ganhou da afilhada, que trabalha em uma empreiteira que presta serviços ao Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), para asfaltar a rua em frente a sua casa. Ele contou que, com a ajuda de um colega que possui um trator, distribuiu o material sobre a via. “Não resolve o problema, mas já ameniza a situação. Eu cansei de promessas”, lamentou.
Segundo os vizinhos, esta não é a primeira vez que um morador resolve consertar de maneira independente os problemas que são de responsabilidade da prefeitura. Eles contam que o principal transtorno vem com a chuva, pois, com a falta de vias regulares, a água não escoa da maneira correta e acaba invadindo as residências. Algumas ruas do bairro chegaram a ser asfaltadas, mas as obras não chegaram à Travessa Uruguai, onde fica a residência. Só neste ano, a prefeitura vai gastar R$ 155 milhões para cuidar das ruas da cidade, dos quais mais de 60 milhões serão destinados às obras das vias sem pavimento, como é o caso da travessa.
Nas ruas próximas à casa, a situação não é diferente. Falta asfalto e, em dias de chuva, a passagem de pedestres e veículos é difícil.
“Asfaltaram ao redor, mas aqui não”, diz indignada a servidora pública Arlene Barbosa, 48 anos, sobre a obra que não incluiu a rua em que mora. Ela conta que se mudou para o bairro há dez anos, e desde então a promessa de que o local receberá pavimentação é frequente. “Não me espanta o morador asfaltar a rua por conta própria. Ele se cansou de esperar”, comenta.
Andreia Ortiz, 37 anos, conta que em 2013 participou de reunião de moradores com o atual prefeito da Capital, Gilmar Olarte, e durante a conversa ele teria prometido aos moradores da região que os problemas com a falta de pavimentação e drenagem teriam data para acabar. Mas nada foi feito.
A Prefeitura de Campo Grande disse, no ano passado, que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que haviam sido anunciadas há mais de três anos, devem sair do papel ainda neste ano. O pacote prevê pavimentação e drenagem em 45 bairros, totalizando 1.400 quilômetros de obra. O Jardim Batistão está incluído.