Exemplo de garra e força feminina, Cira Higina da Silva, 46 anos, foi transferida ontem para o Hospital de Câncer Alfredo Abraão, em Campo Grande. A dona de casa ficou internada por um mês no Hospital Universitário, após sentir dores na perna. Os médicos tiraram um nódulo do local e encaminharam para a biópsia. A suspeita é de que o tumor tenha surgido após a série de violência que sofria dentro de casa, das mãos do próprio marido.
Na residência dos avós, os quatro filhos aguardam notícias de melhora no quadro de saúde da mãe. Cira e as crianças ficaram conhecidas nacionalmente em dezembro de 2013, quando conseguiram liberdade após 22 anos de cárcere privado em uma casa no Jardim Aero Rancho. A mulher sofria agressões diárias, apresentava marcas de agressão pelo corpo, perdeu os dentes da frente e era obrigada a manter relações sexuais com o marido, além de viver em condições insalubres, sem ter ao menos água encanada. O pedreiro Ângelo da Guarda Borges, 58 anos, foi preso em flagrante e continua cumprindo pena por cárcere privado, ameaça e lesão corporal.
“Esse homem é o culpado de tudo que aconteceu. Só Deus para ter misericórdia. É terrível imaginar tudo que ele causou e tem causado a ela. Não sei o que vou fazer agora”, conta o pai de Cira, Adão Sabino da Silva, 72 anos. Segundo ele, desde que conseguiu liberdade, a filha reclamava de dor em uma das pernas. “Ele torceu a perna dela e agravou o problema no nervo. Lá dentro deu uma infecção e agora virou câncer”, desabafou.
Ações
Para que novas vítimas não tenham o mesmo histórico e futuro de Cira, o poder público inicia uma força-tarefa pela segurança da mulher. Além da inauguração da Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, no início do mês passado, a 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher foi criada neste mês. Outro serviço que também foi anunciado pela prefeitura e que deve sair do papel em breve é o “botão de pânico”, que alerta a polícia da aproximação de potenciais agressores de suas vítimas. Tudo por meio de um aplicativo de celular.
A reportagem de Gabriela Couto está na edição deste domingo (08) do jornal Correio do Estado.