“Estão chantageando a prefeitura para cobrar algo que o município não deve”, disse o secretário municipal de governo e relações institucionais, Rodrigo Pimentel, ao referir-se a pressão que os artistas de Campo Grande fazem para forçar a prefeitura a repassar R$ 4 milhões para fundos culturais. Esse valor seria utilizado para custear projetos, que ainda não foram executados.
O secretário de Governo explicou que os artistas montaram uma comissão e fizeram uma relação de projetos. Cada artista elaborou o seu projeto individual que, somados, totalizaram R$ 4 milhões. “Agora eles querem que a prefeitura tire esse valor dos cofres públicos e transfira ao fundo para para arcar com esses projetos”, ressaltou.
Rodrigo Pimentel garantiu que a prefeitura não deve esse valor. Todavia, para acabar com a cobrança, mesmo indevida, propôs pagar R$ 500 mil. Em seguida, aumentou a proposta para R$ 700 mil e, por fim, ofereceu R$ 1 milhão em cinco parcelas, mas os artistas não aceitaram.
Com relação aos projetos individuais elaborados pelos artistas, o secretário explicou que nenhum deles foi executado.“Querem que a prefeitura repasse o dinheiro para o fundo, para então executar o projeto e receber o valor”, frisou.
Planejamento
O secretário Rodrigo disse também que no final de 2014 a Fundação Municipal de Cultura elaborou um planejamento para discutir todas as ações que seriam realizadas na cultura em 2015. Pois bem, esse planejamento então foi repassado para o presidente do Fórum Municipal da Cultura, Airton Raes, para sugestões e análises das programações com orçamento prévio no valor de R$ 9,3 milhões.
“O presidente recebeu o planejamento, mas foi devolvido por ele. Em fevereiro, mandou uma carta para Juliana Zorzo (diretora-presidente da Fundac) agradecendo e aprovando o planejamento. Agora vem discutir”, comentou o secretário.
“Não somos obrigados a passar esse valor de R$ 4 milhões até mesmo porque o planejamento foi feito”, justificou.
Rodrigo Pimentel explicou que com relação a cobrança dos artistas referente ao investimento de 1% na cultura, no ano passado foi gasto 1,03%, que representa mais de R$ 13 milhões no setor. Na análise do secretário, essa manifestação dos artistas é um movimento político.
Falta de documentação
Conforme o secretário, quando Gilmar Olarte assumiu a administração, existia uma dúvida muito alta com os artistas e, embora o valor não tenha sido pago na gestão de Alcides Bernal, o atual prefeito procurou quitar a cobrança. “Hoje, o único valor que falta pagar aos artistas que trabalharam são valores que ainda não foram pagos por falta de documentação dos próprios artistas”, ressaltou.