E, mais uma vez, Março vai embora, com ele se vai o verão, chega o outono, objetivos cumpridos, novas metas traçadas, enfim, lá se foram mais 31 dias do calendário anual.
Ano após ano, Março passa em nossas vidas como se fosse apenas mais um mês, celebramos o Dia Internacional da Mulher, o dia do Bibliotecário e o Dia Mundial da Água.
Porém, é também neste mês que se encerra uma era posposta, recheada de heroísmos e bravuras por nossa pátria, em 1º de Março de 1870, na região de Cerro Corá, o Marechal Paraguaio Solano Lopez tomba em combate e com suas últimas e respeitáveis palavras “Morro pela minha pátria com espada na mão”, chega ao fim a Guerra do Paraguai.
Uma guerra que custou a vida de mais de 50 mil combatentes brasileiros, vidas essas perdidas para que hoje a bandeira da República Federativa do Brasil esteja hasteada sob o solo Sul Mato-grossense. Os frutos extraídos dessa terra foram semeados pelo sangue dos voluntários da pátria, guerreiros esses que não viram o mês de março chegar e juntamente com eles, o incontável número de feridos e inválidos que foram esquecidos.
O que poderia servir de inspiração, foi abandonado, o que deveria ser lembrado, foi esquecido. A guerra do Paraguai é lecionada nas escolas pelo Brasil como um acontecimento fajuto e sem grandes importâncias para este país.
Também chamada guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito armado da América do Sul, e culminou nas desestabilizações políticas e econômicas do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai além de levar a óbito mais de 300 mil pessoas entre civis e militares dos 4 países envolvidos.
Pode-se dizer que a guerra do Paraguai foi uma grande tragédia, trazendo muitos poucos benefícios aos vitoriosos da Tríplice Aliança, e tornando o Paraguai um país totalmente devastado, destruído e sem aliados.
Talvez, pela grande taxa de mortalidade e pelos poucos benefícios pós-guerra, é que a guerra do Paraguai tenha sido tão pouco comentada e pesquisada. Porém ela está em nossa história e não deve ser esquecida, principalmente o fato de que nossa terra foi invadida e que Brasileiros estenderam a bandeira verde e amarela sob seus punhos e expulsaram os invasores.
Atos de bravura e amor à pátria que jamais deverão ser esquecidos, como o Tenente Antônio João que ao tomar ciência de que o Brasil estava sendo invadido dentro de sua jurisdição, mandou evacuar a cidade para salvar os civis e encaminhou uma carta a seu comandante informando sobre a invasão do país vizinho “Sei que morro, mas meu sangue e o de meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha Pátria”. O Tenente e sua guarnição de 14 soldados não recuaram e tombaram em batalha diante de uma tropa paraguaia contendo mais de 200 combatentes.
Curiosamente, mais de 145 anos após o término da Guerra, no mesmo mês de Março, os brasileiros foram às ruas, clamando por justiça, seriedade e pelo fim da impunidade nos escândalos políticos que vem ano à ano afundando o país. Segundo os noticiários, as manifestações do dia 15/03/2015 reuniram cerca de dois milhões de cidadãos e mostraram a força de um povo indignado com a corrupção que assola o país há décadas.
Esperemos que os manifestantes continuem firmes em seus propósitos exercendo seu direito constitucional à democracia e que as manifestações do mês de Março não sejam esquecidas assim como o sangue derramado em nossa bandeira pela defesa de nosso território na Guerra do Paraguai.