Vereadores, representantes da CCR – concessionária que administra a BR-163 em MS e moradores das regiões em que a empresa realizará obras de intervenção participaram de audiência pública, na tarde desta sexta-feira (10), na Câmara Municipal de Campo Grande.
As intervenções necessárias para a duplicação da BR-163 têm preocupado moradores do distrito de Anhanduí, a 60 quilômetros de Campo Grande. Eles alertaram sobre a possível retirada do fluxo de veículos que corta o local, cuja economia sustenta-se, principalmente, no comércio de artesanato e produtos alimentícios às margens da via.
“Vai matar o distrito se matar o comércio. Não tem como correr dessa responsabilidade. A vida econômica do lugar e das pessoas que vivem ali depende disso. Acabou com os comerciantes, acaba o local. Já tem lugar nesse Estado que acabou. Falou de R$ 4,38 do pedágio, não tem como fugir. O contrato já está entregue, eles são donos por 30 anos”, criticou o professor Ernesto Francisco dos Santos.
Outro ponto debatido foi uma possível divisão da Capital. Segundo o presidente da Casa de Leis, vereador Mario César, “antes, o contorno era a Ceará, e hoje ela está integrada no nosso sistema. Esse anel, um dia, também vai integrar. A nossa preocupação é do momento. Mas vai impactar nos anos vindouros. Acredito que essa discussão não termina nessa audiência pública. Acredito que haverá uma demanda ao longo do tempo. Fico muito feliz pela preocupação que estamos tendo, que as coisas saiam da melhor maneira possível”, destacou.
O diretor-presidente do Planurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente), Marcos Antônio Cristaldo, destacou que o projeto apresentado contempla cinco intervenções em Campo Grande, sendo quatro na área urbana e uma na rural, todas aprovadas pela ANTT. “Apenas esses cinco dispositivos não contemplam o interesse de Campo Grande”, ponderou, sugerindo outras intervenções para a melhora no fluxo de veículos.
O vereador Carlão, presidente da Comissão de Obras, afirmou que a Câmara vai realizar uma audiência pública em Anhanduí, para conhecer de perto a realidade local, além de uma reunião com representantes da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e com a bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso.