Sem o Instituto Médico Legal (IML), corpos estão sendo enterrados como indigentes em Dourados (MS). Segundo o site Dourados Agora, as funerárias chegam apressar o enterro de alguns cadáveres, mesmo sem a identificação, por não terem condições de abriga-los. As empresas não dispõem de câmara fria, que conservaria o corpo.
De acordo com a reportagem, por outro lado, o município conta com um moderno IML equipado e com os mais variados tipos de serviço, mas que, apesar de inaugurado há 3 anos, nunca funcionou. O problema é a falta de duas licenças: uma ambiental e outra da Vigilância Sanitária que cobram a implantação de um filtro e um muro. Essas obras custariam menos de R$ 10 mil, valor irrisório, segundo o Conselho Institucional de Segurança de Dourados, para a importância que teria para a segunda maior cidade do estado, com mais de 200 mil habitantes.
O médico legista, Guido Vieira Gomes, chefe do Núcleo de Medicina Legal de Dourados, informou ao site que enquanto o IML permanece fechado, todos os serviços de perícia, seja para a apuração de crimes ou acidentes, são feitos dentro de funerárias, o que poderia comprometer a qualidade e segurança nos laudos. Outro problema é que, sem o serviço de transporte, os corpos são levados pelas empresas até os necrotérios destas e são removidos por funcionários e não servidores da perícia devidamente qualificados.
Segundo ele, as empresas acabam prestando um favor para o Estado cedendo espaços e transporte porque, caso contrário, nenhuma perícia seria realizada no município por falta de um local adequado. Conforme ele, hoje quando uma pessoa morre vítima de homicídio ou acidente e que precisa da atuação da Perícia, uma das funerárias que recolheram e transportaram o corpo acionam o profissional que está de plantão. “Os peritos saem do Núcleo de Perícia com seus veículos próprios e se deslocam para o local do crime e posteriormente para a funerária, onde todo o serviço, equipamentos e auxílio ocorre de forma improvisada”, destaca.