Quando o homem semeia a semente, surge em sua mente o desejo de ver essa semente rapidamente germinar, crescer e produzir frutos. Mas a semente não tem pressa. Necessita apenas de terra boa, tempo favorável para ser semeada, umidade e calor.
Foi assim que o Mestre dos mestres revelou seu carinho e seu respeito pela natureza. Diz ele: “Alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga.” (Mc.4,26-28)
A semente contém o necessário para realizar seu ciclo. Não adianta querer forçar o tempo e os resultados. É preciso manter a serenidade e a esperança de boa colheita. A pressa não faz feliz ninguém. A paciência da semente ensina o quanto será necessário trabalhar e investir naquilo que desejamos colher.
A paciência da semente leva a esperar o tempo necessário debaixo da terra para poder armazenar os requisitos próprios e chegar a germinar, crescer e produzir os frutos tão desejados. Não tem pressa. Obedece a um ritual próprio de sua natureza.
Essa paciência pode incomodar a quem ainda não parou para estudar e admirar o espetáculo contido numa minúscula semente. A impaciência estraga tudo. Atropela sentimentos, interfere nos relacionamentos e perturba o próprio modo de pensar e de discernir as belezas guardadas nos cofres secretos da mente.
Esses cofres contêm riquezas insondáveis. Mas existem certos seres humanos que insistem em viver na superficialidade. Não conseguem alcançar o sentido e o valor desses mistérios. E estarão fadados a não entenderem o próprio viver, o porquê de certas dúvidas, o porquê de certos medos e o porquê de certos tropeços e de infelizes fracassos.
Vivem apenas na superficialidade. Contentam-se com o comum dos acontecimentos. Não são desbravadores de novos caminhos. Não são criadores de novas historias. Não são construtores de novos sonhos. São verdadeiros parasitas. Vivem às custas dos outros. Não têm iniciativas arrojadas e nem criatividade.
Esses seres humanos encontram-se amordaçados por certos vícios, por certas circunstancias que não os deixa livres para pensar, para planejar e para agir. São prisioneiros do negativismo. Não vivem. Vegetam.
Estão precisando de alguém ou de algum fato que os assuste e os desperte para verem a verdadeira face da vida. Precisam tomar em suas mãos uma semente e confrontar-se com ela. Ela possui todos os requisitos para desabrochar, se desenvolver e produzir flores e frutos.
Também o ser humano tem em si os requisitos necessários para despertar, crescer e produzir virtudes e projetos de vida saudável e feliz.
Talvez lhes falte a coragem e a humildade de buscar Deus. Buscar e acreditar na sua bondade, na sua misericórdia e no seu amor. E serem generosos com esse Deus que tudo faz para nossa felicidade.