Metade dos R$ 46 milhões gerados pela inadimplência de mutuários poderiam ser utilizados para construir um novo conjunto habitacional da Agência Municipal de Habitação (Emha), em Campo Grande. A avaliação é do diretor-presidente da autarquia, Enéias José Carvalho, que considera irresponsabilidade não se pagar financiamento da casa própria com parcelas de até R$ 160.
“Diante do corte de recurso federal para a habitação, ao menos metade do déficit poderia financiar um novo conjunto habitacional com recurso próprio ou possibilitar programa de lote social com doação de kit de construção e suporte técnico da Emha. É uma questão de ordem moral”, pontuou ao Portal Correio do Estado.
Com ao menos 50 mil inscritos na lista de espera por um imóvel, a agência reforça a fiscalização contra mutuários inadimplentes e não descarta ingressar com pedidos judiciais de reintegração de posse.
Em empreendimento no Jardim Aeroporto, fiscalização comprovou que 600 dos 860 imóveis estão com irregularidade no pagamento. Destes, 240 mutuários serão notificados judicialmente a pagar débitos em atraso ou renegociar dívida para não perder a casa. Os próximos alvos do pente-fino são moradores dos conjuntos José Tavares do Couto e Oscar Salazar.
Mecanismos de denúncia, conforme o diretor-presidente da Emha, devem ser aperfeiçoados ainda neste semestre. A intenção consiste em intensificar as ações contra um “mercado mafializado” que também comercializa de forma irregular os imóveis. Atualmente, somente o número 3314-3900 tem essa finalidade, mas se estuda inserir um campo para que isso também ocorra pelo Programa de Solicitações (Gsol).
REPERCUSSÃO
Leitores do Portal Correio do Estado, em comentários no Facebook, disseram ser favoráveis a retomada dos imóveis para que possam contemplar quem está na fila da casa própria há mais de 15 anos, como é o caso de Dalvina Medeiros Ramos e Dominique Bernanos.
“Devia tomar a casa de quem não paga, afinal se vivesse de aluguel teria que pagar”, disse Jacqueline Romero. Já Kátia Renê relembra que depois de prazo para regularização, previsto para encerrar em dezembro, a única alternativa seja mesmo passar o imóvel para outra família.
Enquanto há chance de renegociação, conforme a agência, os inadimplentes podem ser beneficiados com desconto de 50% em juros e multas incidentes na dívida.