O ódio e a intolerância contra religiões afro-brasileiras fizeram mais uma vítima no último domingo (14). Uma menina de 11 anos, foi apedrejada na cabeça. O caso ocorreu na Avenida Meriti, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de janeiro, quando depois de uma festa em um barracão, um grupo de oito religiosos, vestidos com trajes brancos do Candomblé, caminhava de volta para casa.
Segundo informações do Extra Globo, dois homens em um ponto de ônibus começaram a insultar o grupo. "Quando viram várias pessoas vestidas de branco, começaram a insultar, gritando que a gente ia “queimar no inferno” por ser “macumbeiro”", lembra a avó, uma pesquisadora de 53 anos.
Até que, em determinado momento, um dos homens jogou uma pedra na direção ao grupo, que bateu em um poste e atingiu a neta da pesquisadora, de 11 anos. De acordo com a avó, após a agressão e mais alguns insultos os suspeitos fugiram embarcando num ônibus.
"Ficamos todos muito nervosos, a gente não sabia o que tinha acontecido, só escutamos o estrondo. Minha neta sangrou muito, chegou a desmaiar. Não reagimos em nenhum momento, a prioridade era socorrer", lembra a avó.
O grupo retornou para o barracão, situado em Cordovil, a cerca de dez minutos do local do crime. Depois de limparem a menina, que estava com muito sangue pelo corpo, a levaram até o Posto de Assistência Médica (PAM) de Irajá, onde os médicos fizeram um curativo no ferimento. Segundo a avó, ela só não levou pontos porque estava com o ferimento muito inchado.
"Nunca tinha passado por uma situação dessa. Eu me senti impotente, não podia fazer nada. Ninguém estava prejudicando ninguém, me questiono por que fizeram isso. Acho que, independentemente do que a pessoa pratica ou no que acredita, em qualquer religião, a prioridade é tratar o ser humano como um irmão", desabafa ela, adepta do Candomblé há 33 anos, destacando que a neta está traumatizada e que iniciará um tratamento psicológico por causa do trauma.
No Facebook, a pesquisadora iniciou uma campanha contra a intolerância religiosa publicando fotos de candomblecistas segurando um cartaz com a frase “Eu visto branco, branco da paz, sou do Candomblé, e você?”. Nesta segunda-feira, a pesquisadora foi até a 38ª DP (Brás de Pina) registrar queixa. O crime foi registrado como intolerância religiosa e lesão corporal. Nesta quarta-feira, a menina fará exame de corpo de delito.
Ainda muito assustada, falando baixo e com a voz por vezes tremida, a menina de 11 anos vítima de uma pedrada na cabeça após deixar uma festa de Candomblé, disse que a partir de agora quer esconder de todos a fé que abraçou por medo de sofrer novas represálias:
"Continuo na religião, nunca vou deixá-la. É a minha fé. Mas não saio de mais de branco. Nem no portão eu vou. Estou muito, muito assustada. Tenho medo de morrer. Muito, muito medo".