Investigadores da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) estiveram na casa da família do bebê morto, no Bairro Vida Nova, em Campo Grande, na noite desta quinta-feira (9), onde recolheram materiais e encaminharam hoje para a Coordenadoria-Geral de Perícia.
Em depoimento, a mãe disse ao titular da Depca, Paulo Sérgio de Souza Lauretto, que a criança mamou na terça-feira, às 20h e vomitou. Na manhã do dia seguinte, a mulher se levantou para ver a filha que chorava, ocasião em que o menino também acordou e vomitou novamente.
A mãe, no entanto, só percebeu que a criança estava sem sinais de vida, às 13h30min, momento em que notou que saía uma substância escura pela boca e nariz do menino. Essa substância, segundo o delegado, de fato, foi encontrada no carrinho do bebê.
Paulo Sérgio Lauretto explicou que durante o velório da criança, alguém ligou na Delegacia Especializada em Repressão ao Crime Organizado (Deco), dizendo que a mãe, nervosa porque a criança estava chorando, teria sufocado e provocado a morte.
Em contato com o médico legista, o titular da Depca recebeu a informação de que quando se faz pressão para criança parar de chorar fica lesão na boca, o que não foi encontrado na primeira análise dos peritos. Por via das dúvidas, como o corpo ainda não havia sido sepultado, o médico pediu que fosse levado para o Imol.
FAMÍLIA
Mãe e pai do menino já foram presos por tráfico de drogas. A mulher, de 27 anos, tem seis filhos, sendo que três deles, do primeiro casamento, moram com a irmã e, as outras três crianças, incluindo o menino, moravam com ela.
O responsável pela investigação disse que o caso foi registrado como morte a esclarecer. Novo laudo deve ficar pronto nos próximos 30 dias e o delegado pretende ouvir mais familiares da criança. “Além de ouvir as testemunhas, preciso dos laudos para confrontar o que foi dito com o que foi examinado”, justificou Paulo Sérgio Lauretto.
O CASO
Polícia Civil e Imol investigam a causa da morte do bebê de um ano, que aconteceu na última quarta-feira (8), no Bairro Vida Nova.
Segundo informações apuradas pelo Portal do Correio do Estado, o corpo foi encaminhado para o Imol com a informação de que a criança morreu depois de se afogar com leite. Finalizados os exames, o corpo foi liberado para a família velar e sepultar.
Durante o velório, testemunhas acionaram a polícia, denunciando que a mãe é usuária de drogas e teria dormido sobre a criança. Investigadores foram foram até o local do velório, onde retiraram o corpo do bebe e levaram para o Imol.
Diante da nova suspeita, equipe do Instituto fez reexame, retirou material do coração, do pulmão, do estômago da criança e enviou para o laboratório.
Além da hipótese de que a mãe dormiu sobre a criança, existe também a versão de que a mulher, nervosa com o choro do menino, teria colocado um pano na boca do bebê, provocando morte por asfixia.