A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) comprometeu-se durante audiência pública na Câmara que vai ampliar o atendimento pediátrico em Campo Grande e deu sinais que não fechará o ex-Centro Municipal Pediátrico, hoje chamado de Pronto Atendimento Integrado, na avenida Afonso Pena.
A reunião realizada na tarde desta sexta-feira (25) durou pouco mais de duas horas e teve a participação de conselheiros municipais de saúde, vereadores, lideranças comunitárias e o secretário municipal de saúde, Ivandro Fonseca.
“Vamos dar uma resposta para resolver essa problemática, montar uma comissão nessa audiência para ir conversar com a promotora Daniela (Cristina Guiotti, da Promotoria de Saúde) para apresentarmos a problemática para ela. Queremos regularizar a situação, ampliar o atendimento pediátrico nas demais regiões de Campo Grande, e priorizar ações preventivas”, prometeu Ivandro, via assessoria de imprensa da Câmara.
Hoje a Sesau possui 900 médicos, número bem abaixo do quadro funcional que a secretaria possuía há quatro meses, que era de 1,3 mil. Greve e instabilidade política gerou a saída de em torno de 400 profissionais que antes eram contratados. A falta de médicos em unidades de saúde da Capital é um problema crônico que gera prejuízo direto à população, com assistência falha e longas esperas.
O antigo Cempe é uma das poucas unidades em Campo Grande que não foi muito afetada com essa carência médica. Em geral, os pais elogiam o atendimento. Apesar disso, a estrutura montada está irregular desde outubro do ano passado. Faltam alvarás de funcionamento do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária, necessidade de reforma de mais de R$ 580 mil, além de o governo municipal pagar um aluguel de R$ 194 mil pelo prédio que já foi o Hospital Sírio Libanês.
Uma comissão mista constatou as irregularidades e o Conselho Municipal de Saúde reprovou o local, por isso ele precisa ser fechado ou transferido de prédio.
Durante a audiência pública, lideranças comunitárias concordaram que a unidade de atendimento infantil não pode ser encerrada.
"Essas coisas técnicas, administrativas e partidárias não nos interessa. Eu, como liderança comunitária, vou dizer: não vai fechar o Cempe, pois nós vamos pra rua e vamos mostrar nossa força. Uma mãe não mede esforços para levar o filho. O Centro é o único hospital onde todas as crianças são atendidas”, disse Mari Deleon, presidente do Clube de Mães do bairro Leon Denizart Conte.
“Não sou contra o fechamento do hospital. Sou contra a maneira com que ele foi feito. Os postos de saúde não podem ficar sem pediatras. Tem que arrumar o que é errado. Fechar não é a solução”, emendou Jeferson Benites, líder comunitário do bairro José Teruel Filho.