Novos laudos obtidos pelo Jornal da Band confirmam que o rompimento da barragem em Mariana era uma tragédia anunciada. Há quatro anos, uma auditoria contratada pela própria Samarco apontou falhas e necessidade de reparos.
Desde 2011, a barragem de Fundão dava sinais de que a estrutura estava comprometida. Tanto a mineradora quanto a FEAM, Fundação Estadual do Meio Ambiente, um dos órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização, tinham conhecimento das falhas.
Relatórios revelam, por exemplo, a existência de trincas na parede lateral há quatro anos. O documento também registra que o monitoramento da percolação (infiltração de água), a correção da erosão no dique e a recomposição do sistema de drenagem foram solicitados na ocasião.
O alerta de especialistas foi desprezado pela Samarco e pela fiscalização.
O Ministério Público já tem indícios de que a mineradora não respeitava o limite de capacidade da barragem e ainda permitia que a Vale, uma de suas controladoras, depositasse rejeitos no local.
Nesta quinta-feira, com um atraso de cinco dias, a Samarco terminou de quitar a primeira parcela - de R$ 500 milhões - para o fundo de recuperação ambiental. A próxima, no mesmo valor, deverá ser paga no dia 27 de dezembro.
Depois de quase um mês de desastre, centenas de desabrigados ainda estão hospedados em hotéis.