Mesmo avesso aos remendos, o prefeito Alcides Bernal (PP) não titubeou em atropelar o processo de relatoria do orçamento de Campo Grande, nesta quinta-feira (10). O investimento em cultura foi alvo da ação, de última hora, interpretada pelos vereadores como redução de recurso.
Luiza Ribeiro (PPS) foi responsável por apresentar a emenda fora do prazo, causando furor na votação de hoje. Com a nova redação seriam repassados R$ 3,9 milhões para o Fundo Municipal de Investimentos de Cultura (FMIC), ante os R$ 6,8 milhões acordados pelas bancadas para quitar projetos já aprovados no ano passado. A manobra de Bernal fracassou.
O relator do orçamento, Eduardo Romero (Rede), pontuou que na ausência de novos investimentos em infraestrutura a cultura pode ser beneficiada se cumprido o planejamento aprovado. Isso porque foram remanejados recursos de secretarias como governo e juventude para cumprir mínimo de 1% ao segmento.
Foi mantido por coerência, segundo vereadores, limite de 5% para que Bernal possa fazer alterações no planejamento financeiro do próximo ano. A intenção consiste em que o Legislativo possa fiscalizar de forma mais clara se o orçamento está sendo cumprido em sua totalidade. Houve também ampliação de R$ 1 milhão para emendas destinadas a instituições de saúde e assistência social.
ORÇAMENTO
A parcela mais expressiva no pacote de investimentos de R$ 3,675 bilhões se concentra na folha de pagamento. Há risco, no entanto, de que os gastos ultrapassem R$ 1,5 bilhão (45%) previstos para o ano.
Saúde e Educação ficam, respectivamente, com R$ 1,1 bilhão (34,27%) e R$ 765,4 milhões (22,16%). Obras estariam restritas a continuidade de projetos previamente aprovados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados a pavimentação de bairros, mobilidade e requalificação de vias urbanas.