Cidades

Barragem rompida

Bióloga do Estado integra equipe para avaliar danos em Mariana

Kelly Vieira foi selecionada para participar de grupo que reúne especialistas do país

Redação

16/12/2015 - 20h15

A professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Kelly Regina Ibarrola Vieira, é uma entre os dez analistas ambientais escolhidos no Brasil para analisar os laudos ambientais feitos antes e depois do rompimento da barragem de Mariana (MG).

A professora é a única de Mato Grosso do Sul a participar da equipe.

De acordo com Kelly Vieira, o papel do grupo de profissionais é analisar se nas fiscalizações anteriores foram aplicadas as medidas para minimizar os impactos e recomendações legais.

Em janeiro está marcada uma viagem para que a docente e os outros analistas visitem Mariana e os locais afetados pela lama da barragem.

“Uma preocupação é tentar entender as causas do problema para que as famílias possam receber a indenização o mais rápido possível. Não posso dizer muito sobre o trabalho, mas antes da tragédia não havia problema aparente, como consta no pré-laudo. O que reforça a hipótese que, o que aconteceu foram questões de risco ambiental inerente quando se faz mineração”, disse, via assessoria de imprensa.

MINERAÇÃO

No processo da mineração, segundo a professora, é preciso fazer uma lavra a céu aberto, ou seja, são feitas as barragens para que os resíduos do minério e água fiquem contidos. Estas barragens são construídas em degraus, e quando este espaço vai se enchendo é preciso construir outro degrau a cima.

“A de Mariana estava indo para o terceiro degrau. O problema é que já estava operando em quase 90% da sua capacidade. A empresa já estava construindo outra, mas não deu tempo, um terremoto no Peru, sentido em menor proporção na região da tragédia, pode ter provocado ondas sísmicas que poderiam ter provocado um efeito de ‘tsunami’, causando uma enorme onda de lama desses rejeitos. Mais isso ainda é uma das hipóteses sobre o que aconteceu lá”, explicou Kelly Vieira.

DANOS

A docente, graduada em Biologia na UEMS, também ressaltou que o impacto no rio foi tão grande que em algumas partes não terá como ser remediado, pois a lama matou toda a fauna, flora, os leitos do rio, além de acabar com a oxigenação da água.

“O impacto não é só no Rio Doce, mas em toda a bacia hidrográfica. O que vemos hoje é pontual, mas ao longo dos anos poderá ser visto o impacto ao longo de toda a Bacia, afetará, provavelmente, outros rios das regiões ao entorno do estado de Minas Gerais.”

Ela ainda continuou. "Esta lama que se espalhou, fez e fará ainda muitos danos, pois nela pode conter substâncias tóxicas, que são totalmente nocivas ao meio ambiente e a saúde."

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