Celebrada como a maior fábrica do segmento na América Latina até ter as obras suspensas no fim do ano de 2014, desempregando mais de 3,5 mil trabalhadores, a Unidade de Fertilizantes Hidrogenados 3 (UFN3), empreendimento que soma R$ 4 bilhões em investimentos no município de Três Lagoas, entra no ano de 2016 com 82% da estrutura concluída (e paralisada) e ainda sem perspectiva de retomada em curto e médio prazo. Ontem o Conselho de Administração da Petrobras reduziu o plano de investimentos da companhia para o período 2015-2019 para US$ 98,4 bilhões, queda de US$ 32 bilhões ou de 24,5% ante a projeção inicial, principalmente devido à otimização do portfólio de projetos e do efeito cambial, em meio a um cenário de preços do petróleo mais baixos.
A Petrobras, que assumiu as obras da fábrica após romper contrato com o consórcio formado pelas empresas Sinopec (chinesa) e Galvão Engenharia, nem sequer incluiu a conclusão da fábrica sul-mato-grossense em seu plano de investimentos estratégicos. Sobram tentativas por parte dos poderes públicos estadual e municipal para que a estatal dê uma solução ao quadro de abandono em que estão as obras. Enquanto o Governo do Estado atua em frente alternativa, fazendo gestões junto ao Ministério de Minas e Energia para que futuros investidores na obra entrem diretamente na importação do gás natural, hoje negociado exclusivamente pela Petrobras com o governo boliviano.
(*) A reportagem, de Daniella Arruda e Sarah Minini (de Três Lagoas), está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.