No último dia 14, a prefeitura de Campo Grande informou que comunicaria as empreiteiras para que interrompessem o fechamento de buracos enquanto estivesse chovendo e, assim, evitar o desperdício de dinheiro. Isso não ocorreu. Ontem, o Correio do Estado voltou a flagrar equipes do tapa-buraco trabalhando em plena chuva, na Rua Joaquim Dornelas, Vila Bandeirantres, em Campo Grande.
Para a população, a situação explica a falta de durabilidade do serviço, além de ser desperdício de dinheiro público. Engenheiro civil ouvido pela reportagem do Correio do Estado atestou que executar ações de tapa-buraco em período de chuva é serviço perdido.
Há dois principais agravantes em fazer esse serviço com tempo úmido: o Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) pode perder a temperatura mais rápido, caso isto ocorra, ela perde a qualidade, além disto, a base em que a massa será deposita tem que estar seca.
Sem estas condições básicas não há boa compactação e o material utilizado é desperdiçado. Para que o serviço ocorra de maneira plena, a recomendação é que seja executado em período de seca.
Apesar dos serviços estarem sendo executados, a própria Secretaria de Infraestrutura, Transporte e Habitação (Seintrha) admitiu que os trabalhos precisam ser reduzidos nesse período. “Com o asfalto úmido, o material não tem a aderência necessária como é exigido pelos serviços”, afirmaram em nota emitida pela assessoria de imprensa.
Esta é uma das explicações para o fato de muitos consertos nas ruas de Campo Grande não durarem um mês sequer, foi o que ocorreu na Avenida da Capital. De acordo com o mecânico, Walberto Marques, 23 anos, essa é a segunda vez em menos de um dois meses que a via recebeu o serviço de manutenção. “Da última vez, o buraco que eles tinham tapado estava aberto no dia seguinte. Com essa chuva não dura”, afirma.
Outra via que recebeu o serviço há menos de dois meses é a Avenida Coronel Antonino. Apesar disto, foi nesse local que o alinhador Eder Silva de Arruda , 23 anos, acabou furando os dois pneus da moto ao passar por um buraco. “Além de furar, entornou o aro. Não adianta nada tapar buraco em período de chuva”, acredita.
TAPA-BURACO
As ações do tapa-buraco foram iniciadas em novembro do ano passado. Na ocasião, a prefeitura reativou contrato com seis empresas e pagaria R$ 1,5 milhão por mês para execução dos serviços. O trabalho foi anunciado como de caráter emergencial com duração de 90 dias.
A ideia é de que a medida temporária fosse substituída por uma parceria com o Exército, para que os militares atuassem na reestruturação das ruas da Capital. Em dezembro, o Comando Militar do Oeste (CMO) apresentou à prefeitura estudo que previa investimentos de R$ 19,5 milhões para a parceria sair do papel, o que ainda não ocorreu.