Cidades

PROFISSÕES

O que é preciso saber para trabalhar sem estresse e de casa

Bloqueio criativo e trabalho excessivo são alguns riscos da modalidade

Redação

20/03/2016 - 10h00

Tempo maior com a família, sem estresse do trânsito, economia ou flexibilidade nos horários. Os motivos que levam as pessoas a trabalharem em casa são diversos, mas "nem tudo são flores" no modelo home office.

Bloqueios criativos e até uma confusão entre o "pessoal" e o "profissional" são reclamações comuns entre aqueles que optam pela modalidade. Mas especialistas têm sugestões para diminuir esse problema. Entenda melhor a seguir.

Quem passou por essas situações foi Yara. Ela divide sua rotina entre os cuidados com o filho e a elaboração de doces para a Haiber&Maris, empresa que mantém em sociedade com amigo.

"Eu tenho uma rotina. Meu filho dorme 23h00 e acorda umas 09h00, então sei que tenho até as 10h00 para agilizar tudo. Ele cochila no início da tarde e aí tenho mais um tempinho para trabalhar".

Yara Haiber Vaccari Fernandes, de 24 anos, atuava como secretária até o filho, hoje com um ano e seis meses, nascer. "Voltei da licença maternidade e trabalhei cinco meses, mas depois pedi demissão porque compensava mais (trabalhar em casa). Agora, fico mais tempo com ele e não preciso deixar com ninguém."

Ela conta não ter se arrependido da escolha, especialmente porque o "financeiro conta muito". "Com duas festas em uma semana, eu ganho quase o mesmo que trabalhando oito horas por dia, com patrão. A minha qualidade de vida hoje é muito melhor."

Trabalhando em casa Yara fica mais tempo com filho
(foto: Arquivo/Pessoal)

PONTOS POSITIVOS

A possibilidade de receber mais foi o que fez com que a jornalista Sue Lizzie Viana Coitinho, 25, optasse por trabalhar em casa.

Ela é especialista em redes sociais, gerenciamento de crise, assessoria de imprensa e presta serviços para empresas organizadoras de eventos. “Costumo trabalhar em cada evento durante dois ou três meses”.

Ela tem um escritório dentro de casa, mas quando precisa se reunir com algum cliente, vai até uma cafeteria. “Na empresa você trabalha ali no horário, mas em casa você fica à disposição quase 24 por dia”, diz, afirmando gostar da “correria”.

Para Sue, trabalhar em casa representa mais qualidade de vida e economia. “Você não enfrenta trânsito, controla a alimentação porque não precisa de restaurante e ainda garante valor justo pelo trabalho que você está fazendo. É ótimo.”

PONTOS NEGATIVOS

Mas o desenvolvedor web Macgyver Martins, de 22 anos, alerta para os problemas que podem ser enfrentados por aqueles que, assim como ele, decidem trabalhar com home office.

“A galera acha que a gente trabalha de cueca e a hora que a gente quer,  mas não é bem assim. É complicado. Precisa ter disciplina”.

Até fevereiro, Macgyver trabalhava para uma empresa startup de São Paulo, mas recentemente começou a atuar por conta própria. Ele conta que uma das maiores dificuldades para aqueles que estão em casa é manter o foco no trabalho.

Bloqueio criativo, falta de motivação e até trabalhar de forma excessiva são outras questões que podem atingir com mais intensidade aqueles que cumprem expediente em casa.

“Aconteceu de eu passar o dia inteiro dentro de casa, dentro do meu quarto, inclusive, que é onde fica minha estação de trabalho. Não tinha saído nem para ver como estava o dia”, lembra.

“Isso é um problema, você se desligar e trabalha demais”. Depois do susto, hoje Macgyver se obriga a sair do home office todas as manhãs, antes de dar início ao trabalho.  

O desenvolvedor web afirma que na área dele é comum trabalhar além do expediente. “Ás vezes dá um bug no sistema e você não consegue parar enquanto não arruma. É uma questão de ‘honra psicológica’”, brinca.

Para Macgyver, o ideal seria o profissional ter a flexibilidade para na empresa, tal qual acontece quando se está no home office. “Acho que uma boa forma de resolver esses problemas é trabalhar em ambiente de coworking”.

COMPARTILHANDO ESPAÇO

O consultor de marketing e idealizador do Conectivo Coworking, Josué Sanches, conta que trabalhou em home office durante um bom tempo e confirma não ser tarefa fácil lidar com as distrações que existem no ambiente doméstico.

“Na sua cabeça, sair da cama e ir para outro quarto nem sempre funciona. Você flerta com a geladeira, com a televisão, com o sofá. Tem filho, marido, esposa. É demanda o tempo inteiro”.

É por esse motivo que o coworking, esse espaço de trabalho compartilhado, pode ser considerado uma tendência. “A pessoa só tem que sentar e trabalhar. Se vai atender um cliente, ela tem uma mesa, uma sala de reunião e o custo é baixo”, declara. 

Segundo Josué, não existe um perfil específico de quem adere ao coworking, mas em geral são empresários jovens, de até 30 anos.

Quando chegam ao local, eles recebem canecas para evitar o descarte de copos descartáveis no meio ambiente e fones de ouvido para manterem a concentração. 

“O coworking atende tanto profissionais que estão inseridos nessa chamada ‘Economia Criativa’, ou seja, pessoas que trabalham com conhecimento e criatividade, como os das áreas da comunicação e tecnologia, quanto alguns profissionais tradicionais, como arquitetos, corretores de imóveis, advogados. Em resumo: são pessoas que tem atividades que demandam apenas prestação de serviço e precisam ter estruturas completas por um custo bem baixo”, diz. 

Em Campo Grande, por exemplo, existem pelo menos duas estruturas que oferecem o sistema coworking de trabalho.

 

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