Cidades

Campo Grande

Depois de recomendação do MPE, Omep quer romper contrato com prefeitura

Instituição diz que fim de convênio será benéfico para organização

Depois de recomendação do Ministério Público Estadual (MPE) para que a Prefeitura de Campo Grande demita os quase quatro mil terceirizados da Organização Mundial para Educação Pré-Escolar (Omep) e Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária (SSCH), diretora da Omep, professora Maria Aparecida Salmaze, informou, em entrevista coletiva nesta terça-feira (29), que a instituição tem interesse em romper o convênio com a prefeitura.

Conforme Maria Aparecida, a Omep tem 2.017 funcionários que atuam nos órgãos públicos municipais, sendo a maioria em Centros de Educação Infantil (Ceinfs). O repasse mensal da prefeitura é de mais de R$ 2 milhões para pagamento de todos os funcionários, sendo que 5% desse montante é para custo operacional da Omep. Em março, o repasse foi de  2.768.972,12.

Investigação do MPE apontou problemas nos convênios, como casos de contratação com desvio de finalidade, disparidade de remuneração, lotação que não seja órgãos da administração municipal e não cumprimento de expediente. O órgão recomendou a suspensão do contrato.

O prefeito Alcides Bernal (PP) informou que não tem condições de custear as rescisões contratuais nem nomear concursados em tempo hábil para preencher as vagas sem prejudicar a população.

Maria Aparecida informou que romper o convênio, que existe desde 18 de abril de 1997, seria benéfico para a instituição que, por ser uma entidade privada, não precisaria passar por auditorias do Ministério Público.

Ainda segundo a diretora, desde o começo deste ano, cerca de 60 pessoas contratadas pela prefeitura foram demitidas por conta de pressão do MPE e, devido a fiscalização, passaram a ser admitidos apenas trabalhadores da área da educação.

Ela disse também que os contratados são escolhidos pela própria prefeitura, sem concurso público, que encaminha nome, cargo e remuneração a ser paga para a Omep, que apenas faz a contratação.

O advogado da Omep, Ludison Ortiz, também afirmou que seria benéfico para a organização o fim do convênio. "A Omep é privada e não faz parte da administração pública, mas como consequência do rompimento do contrato, a Omep pode atender menos pessoas", disse.

Ortiz disse ainda que caso o rompimento partisse de decisão da Omep, a instituição teria que arcar com o pagamento da rescisão dos funcionários. 

INVESTIGAÇÃO

O número considerável de funcionários das entidades nos quadros da prefeitura, além da disparidade de salários para ocupantes do mesmo cargo, chamou a atenção do MPE. A suspeita é que políticos usem as entidades há quase duas décadas como cabide de emprego.

O caso é conduzido pelo promotor de Justiça Fernando Zaupa, da 29ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, que impôs sigilo nas investigações. Por meio de recomendação publicada no Diário Oficial, no mês passado, a promotoria deu prazo de 10 dias para que a prefeitura divulgasse a relação dos contratados via Omep e Seleta. Além disso, pediu o cumprimento do disposto no Termo de Co-promisso de Ajustamento de Conduta (TAC) que recomenda a realização de concurso público para preencher os cargos. Conforme Zaupa, as contratações são ilegais.

A Prefeitura propôs manter a parceria até 2018 e demitir apenas 200 funcionários, porém, o MPE rejeitou a proposta.

Os contratos com a Omep e Seleta consomem R$ 6 milhões mensais. Se a prefeitura absorver esse valor na folha de pagamento, corre o risco de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Outro agravante apontado pela secretaria é tempo para realização do concurso em ano eleitoral, já que Lei das Eleições restringe a nomeação, contratação ou admissão do servidor público nos três meses antes do pleito e até a posse dos eleitos.

No dia 18 de março, a prefeitura instituiu comissão para apurar as possíveis irregularidades nos convênios. O prazo para conclusão dos trabalhos é de 90 dias,

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