A medida é simples, sustentável, barata e pode solucionar o problema das erosões nos córregos de Campo Grande. São pneus velhos, repletos com a terra retirada ao redor da erosão, colocados como sustentação do lugar degradado. Na Capital, esta ideia tem sido colocada em prática na Orla Morena com trabalho voluntário de um morador da região.
Jenildo Lima Andrade, de 37 anos, conta que sempre frequentou a Orla Morena e começou a ficar incomodado com o barro acumulado na área depois das chuvas. Isto porque não há nada para conter a água que desce em alta velocidade da parte alta para parte baixa da Orla, arrastando a terra do canteiro.
Com pesquisas na internet, ele percebeu que o problema poderia ser facilmente resolvido. O trabalho teve início com a visita à uma borracharia, onde Jenildo pediu por doações de pneus velhos. “Para eles compensa porque alguém teria que levar para empresa que tritura os pneus. Então eles economizam com o frete”, diz.
MÃO NA TERRA
Depois de conseguir os pneus, ele deu início a uma “nova modalidade” de exercício físico, indo para a Orla às 6h30min dos domingos para colocação do material.
A terra, antes espalhada pela praça atrapalhando a passagem dos pedestres e ciclistas, foi recolhida com uma pá e colocada dentro dos pneus que foram preenchendo o espaço afetado pela erosão. “O pneu substitui a pedra e depois dá para fazer um canteiro para as plantas”.
Ele pontua a mesma técnica poderia ser utilizada para conter a erosão na beira dos córregos da Capital, especialmente nesse período de crise financeira em que faltam recursos.
Como exemplo, ele cita a iniciativa da Prefeitura de Ronda Alta (RS) que reconstruiu uma ponte destruída pelas chuvas utilizando pneus velhos. Os custos desta obra ficaram em R$ 5mil, ou seja, 96% a menos que uma ponte convencional em concreto avaliada em R$ 150 mil. “Resolve o problema do assoreamento e ainda tira um resíduo que não estava sendo utilizado”.
No caso da Orla Morena, os pneus deixaram espaço mais seguro também porque funcionam como uma espécie de escada. Antes as crianças desciam pela terra com risco de se machucarem. “Sei que isso é uma gota no oceano, mas não vai ocorrer mais alagamento aqui”, declarou Jenildo
PRAÇA SUSTENTÁVEL
Antes de serem utilizados para conterem o assoreamento, os pneus começaram a fazer parte da paisagem da Orla Morena como lixeiras ecológicas. A ideia também foi de Jenildo, mas ele contou com ajuda de outros moradores para melhorar o aspecto do local.
Sobras de uma tinta utilizada em reforma na casa de Jenildo foram usadas para dar cor aos bancos e mesas que estavam com a tintura desgastada. A mão de obra foi dele, da esposa e de uma sobrinha. Um casal amigo deles gostou da ideia e doou outras latas de tinta para que o trabalho ficasse completo.
Segundo Jenildo, os servidores da CG Solurb, concessionária responsável pela gestão de resíduos sólidos de Campo Grande também gostaram da ideia das lixeiras e agora as deixam forradas com saco plástico para fazerem a coleta no outro dia.
“A gente acaba despertando um ao outro e não fica esperando por órgão público”, finalizou Jenildo.