Mesmo com falta de iluminação, dívida milionária com Hospital e com situação financeira precária, o município de Brasilândia – distante 399 quilômetros da Capital – encontrou motivos para investir R$ 145 mil para comemorar o aniversário de 51 anos da cidade com show do cantor Michel Teló.
Porém, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a suspensão do evento, que estava previsto para acontecer neste domingo (24). O Promotor de Justiça Marcos André Sant’Ana Cardoso ajuizou Ação Civil Pública contra o Município de Brasilândia e Teló Shows Ltda e argumentou que, em ano eleitoral, e diante da grave crise política e econômica que assola o país, o município não poderia despender tal quantia para a realização do evento.
Conforme apontamentos do Ministério Público Estadual (MPE), a situação financeira da cidade não é boa e há diversos serviços públicos em situação de precariedade, o que confronta com a intenção do município em desprender R$ 145 mil dos cofres públicos para realizar a festa. Na ocasião, foram citados procedimentos que tramitam na Promotoria de Justiça e apuram irregularidades quanto ao descumprimento da Lei de Acesso à Informação e de Transparência.
Diversas outras questões foram ressaltadas para embasar a não realização do evento comemorativo, tais como investigação acerca da má qualidade de serviço de iluminação pública, inquérito civil para apurar dívida de R$ 1,5 milhão do Hospital da cidade, que é conduzido por uma administração privada, que pode comprometer a saúde dos cidadãos, irregularidades da destinação final de resíduos sólidos, ausência de condições materiais para que o Conselho Tutelar possa trabalhar com níveis aceitáveis de privacidade e acessibilidade e também um procedimento que visa apurar a defasagem de funcionários em creche da cidade.
OUTRO LADO
Em nota, o prefeito de Brasilândia, Jorge Diogo, afirmou que o município entrou com recurso para garantir a realização do evento, alegando que não se trata apenas de uma festa, mas "desenvolvimento e cultura".
O prefeito diz que o evento agropecuário com um show de renome nacional é atrativo para o público. Além disso, Jorge Diogo diz que não foi retirado dinheiro da saúde nem educação para realização do show. "Por fim, como ficarão as contas impagáveis com o prejuízo deste cancelamento do evento, já que todas outras atrações são possíveis por conta do sucesso promovido pelo contrato com Michel Teló?
Quem vai pagar as devoluções dos Camarotes que ocorrerão por conta deste cancelamento?", indagou.