Com mais de 400 visitas diárias que circulam aos fins de semana no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande, agentes penitenciários não descartam possível motim e, até mesmo, rebelião nos próximos dias. Isso porque o clima entre os presos é tenso após 10 dias da realização da 1ª edição do Curso de Treinamento e Intervenção Rápida, oferecido pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) dentro da unidade.
As visitas acontecem aos sábados e domingos das 9h às 16h. Porém, os visitantes só podem entrar até as 15h, após este período são autorizadas apenas saídas. Na manhã deste domingo, antes das 9h, os presos ficaram agitados e gritavam palavras conhecidas pelo episódio da Revolução Francesa : "Liberdade! Igualdade e Fraternidade". As visitas deste domingo ocorreram sem alterações.
Em estado de alerta, os agentes, que hoje trabalham com equipes desfalcadas por conta da falta de efetivo, temem que algo pior aconteça nos períodos críticos da visita, que são os de saída da visita e o de trancar os presos na cela. “Temos agentes afastados por conta do envenenamento [cinco servidores foram intoxicados depois de ingerirem café da manhã preparado por detentos - leia aqui]e outro de férias”, destacou André Luiz Garcia Santiago, presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Sinsap-MS).
Diante da insatisfação com as condições de trabalho e da falta de efetivo para atuarem nas penitenciárias, a classe promete entrar em greve no dia 2 de maio. Antes desta data duas paralisações devem ocorrer no estado a fim de chamar atenção das autoridades para que resolvam a situação. “Amanhã estamos protocolando a documentação junto ao governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), para que a cobrança seja oficializada”, explicou Santiago.
*Atualizada às 17h29min