Acordar cedinho, às seis da manhã, tomar mingau de aveia e comer um pão com manteiga era fato raro na rotina do aposentado Aldo Azambuja Cabral, 82 anos. A refeição, quase sempre acompanhada de uma breve leitura bíblica, é como o morador da cidade de Coxim – a 254 quilômetros de Campo Grande – gosta de começar o dia, mas, durante oito anos e quatro meses, o tratamento de uma insuficiência renal o forçou a despertar bem antes de o sol nascer, religiosamente, três vezes por semana.
Até abril deste ano, o município situado ao norte de Mato Grosso do Sul não tinha equipamentos de hemodiálise, que filtram o sangue de pacientes renais crônicos por meio de um método artificial. Sem o processo, as complicações à saúde podem levar à morte. O tratamento mais próximo era na Capital, o que obrigava Aldo a levantar da cama no início da madrugada. “Eu acordava era meia-noite para tomar a van da prefeitura uma hora e ir para Campo Grande. Era muito cansativo”, recorda.
O aposentado perdeu a esposa há um ano, é pai de cinco filhos – três homens e duas mulheres – e não sabe ao certo a quantidade de netos e bisnetos, mas percebe que o tempo ao lado de seus descendentes se multiplicou depois que o Hospital Regional Álvaro Fontoura, em Coxim, inaugurou seu Centro de Hemodiálise no dia 11 de abril, aniversário de 118 anos da cidade. “Agora tá 1000%”, brinca, em seu segundo mês de sessões no local, a poucas quadras de casa.
Reportagem de Jones Mário está na edição de hoje do Correio do Estado.