Catadores de materiais recicláveis interditam desde as 8h de hoje (30) o km 350 da BR-262, município de Campo Grande. Foram colocados pedras, paus e pneus para evitar que veículos trafeguem.
A Polícia Rodoviária Federal está no local e faz o monitoramento para evitar mais transtorno. Há 30 manifestantes bloqueando a rodovia. Como há sinalização por parte da equipe da PRF, não foi registrado congestionamento.
Os trabalhadores atuavam no aterro sanitário, que teve o acesso a eles fechado depois da inauguração da Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR). Eles reclamam de ingerência na unidade, o que diminui consideravelmente os ganhos.
A Prefeitura de Campo Grande abriu processo para recebimento de propostas sobre o trabalho da coleta seletiva na cidade e o prazo encerra-se amanhã (31). Os documentos recebidos serão analisados e passarão pelo crivo de técnicos e, depois, apresentados em audiência prevista para ser realizada em junho.
A situação dos catadores chegou a ser discutida no Ministério Público do Trabalho e houve audiência com membros da Prefeitura de Campo Grande e a Solurb, empresa atualmente responsável pela coleta seletiva. Contudo, não houve acordo e o impasse permanece desde 28 de fevereiro deste ano.
A única medida tomada desde então foi a contratação de 120 pessoas pela Solurb para realizar a coleta. Organizações de catadores estimam que haja ao menos 420 trabalhadores atuando regularmente em Campo Grande.
AUTORIDADES
A organização do protesto convidou o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, vereador Eduardo Romero (REDE), para ir ao local. Também foi chamada a Defensoria Pública do Estado. Até as 10h40, o vereador não tinha aparecido. Uma defensora pública chegou no protesto por volta desse horário.
"Estão enterrando 300 mil quilos de material reciclado que poderiam ser triados pelos catadores. Não tem material para trabalho de reciclagem hoje", disse Luiz Berrocal, que faz parte do grupo de manifestantes.