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Grupos de teatro apresentam-se <br>em praças e aldeias

Grupos de teatro apresentam-se <br>em praças e aldeias

Redação

03/06/2016 - 17h54

O tempo nublado é uma preocupação para atores e atrizes que encenam seus espetáculos nas ruas. Mas, para os grupos que participam da Mostra da Rede Brasileira de Teatro de Rua, as apresentações acontecerão, faça chuva ou faça sol. O primeiro espetáculo a ser apresentado é “A Princesa Engasgada”, do Teatral Grupo de Risco. A encenação acontece às 19h, na Comunidade Tia Eva. 

Neste ano, sete grupos participam do festival. Dos participantes, cinco são da Capital e dois do interior. As apresentações, que ocorrem até o dia 12, serão realizadas em espaços públicos como praças, aldeias urbanas e comunidades quilombolas. “A proposta é levar teatro e cultura para os moradores de regiões mais distantes”, explica Fernando Cruz, diretor do Teatro Imaginário Maracangalha e articulador da rede em Campo Grande.

Segundo ele, este ano, o objetivo foi descentralizar as apresentações. “Cada grupo vai se apresentar na sua cidade, mas sempre com essa proposta de levar arte às comunidades”, ressalta. Em Dourados, a Companhia Theastai e a Tri Ato Núcleo Cênico se apresentam na Aldeia Bororo. Em Nova Alvorada, o Palhaço Challito realiza a performance “100 Virtuose”, no Parque Nelson Tereré. 

Todos os grupos recebem cachê da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei). O valor levantado, no entanto, não ficará para os grupos. Segundo Fernando, o objetivo é que este dinheiro ajude a custear a promoção do encontro da rede. “Tivemos o evento aprovado em um edital da Funarte específico para o fomento de redes, no entanto, o valor não foi entregue. Agora, estamos articulando ações para garantir que este encontro aconteça”, explica Fernando Cruz.

REDES EM ARTICULAÇÃO

Criada em março de 2007, em Salvador, a Rede Brasileira de Teatro de Rua surgiu com o objetivo de aproximar os grupos, artistas, coletivos e pesquisadores que trabalham com o teatro de rua em todo o País. Anualmente, são realizados dois encontros, em que participantes de diversas regiões se locomovem para uma cidade e realizam plenárias, grupos de trabalho, debates e apresentações. Entre 16 e 19 de junho, acontece em Campo Grande o XVIII Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua.

“A rede se constituiu como um dos principais dispositivos para a promoção e a discussão das políticas públicas em relação à arte pública. Atualmente, somos um dos grupos mais organizados, o que garantiu algumas vitórias importantes”, ressalta o diretor do Teatro Maracangalha, que é um dos organizadores do encontro. “Em alguns anos, tivemos apoio governamental. Como a Funarte está parada, decidimos arregaçar as mangas”, ressalta. 

Ações como a Temporada do Chapéu, festival criado em 2009, inseriram Campo Grande no circuito do teatro de rua brasileiro. “Não só os grupos de fora vêm para cá, como os nossos grupos são convidados para se apresentar por todo o País. Isso é fundamental para construir um cenário forte, de trocas, e que não pare de crescer”, comenta Fernando. Atualmente, a rede conta com mais de 700 grupos de todas as regiões.

Entre os temas presentes nos debates e nas plenárias dos encontros estão a luta e as discussões específicas de cada localidade, assim como a criação de políticas públicas locais, regionais e nacionais. “Quem faz arte na rua também se preocupa com o bem público. A conservação e a manutenção desses espaços pelo poder público têm sido umas das grandes questões para os articuladores da rede”, argumenta Fernando.

Outro eixo que move os encontros da rede trata de pensar estratégias de sobrevivência para os grupos. “Buscamos encontrar maneiras de fortalecer nossas ações”, pontua. A rede conseguiu espaço dentro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, onde pesquisadores se organizam para estudar estéticas, memória e história do teatro de rua no Brasil.

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