Para a população, fica a impressão de que o governo do presidente interino Michel Temer ainda não conseguiu atingir o ponto nevrálgico da recessão.
Há quase dois meses, o brasileiro aguarda, com ansiedade, pelo vislumbre de mudanças no cenário econômico do País.
Alguns índices divulgados no encerramento do primeiro semestre dão indicativo de que há luz no fim do túnel, porém, até chegar lá, o Brasil terá de passar por via-crúcis para recuperar o fôlego. Para a população, fica a impressão de que o governo do presidente interino Michel Temer ainda não conseguiu atingir o ponto nevrálgico da recessão.
Essa avaliação não é feita com estatísticas rebuscadas e herméticas apresentadas por estudiosos da economia brasileira. É só olhar as prateleiras dos supermercados, checar o preço dos produtos e, na comparação, chegar à aterradora consequência da falta de poder aquisitivo do consumidor. A reportagem de hoje no Correio do Estado apresenta a disparidade dos valores praticados em Campo Grande, mas que são amostra do cenário nacional: 108 tipos de alimentos acumulam altas acima da inflação. Na lista, não podia faltar o feijão, claro, além de açúcar, óleo, pão, macarrão, arroz, carne, batata, tomate, citando alguns que compõe a cesta básica. A variação alcança até inacreditáveis 212% em um ano.
Na teoria, o desaquecimento da econômica deveria arrefecer o índice inflacionário, mas não é o cenário visto no Brasil. Não foi só o poder de consumo da população que caiu, mas, também, a atividade comercial e industrial, provocando redução do estoque ainda maior que a demanda, em clara tentativa de cortar custos e minimizar prejuízos. O desemprego assombra a população e continua pairando sobre o setor produtivo. Os últimos dados do Ministério do Trabalho apontam alguns sinais positivos no ritmo da atividade econômica, mas a previsão é que o mercado tenha piora ao longo deste ano até 2017. A taxa prevista por analistas de mercado é de 10,9% e 13% no último trimestre do ano. Serão quase 12,5 milhões de pessoas à procura de vaga.
No balanço de um mês, feito no dia 12 de junho, o presidente interno Michel Temer preferiu adotar visão cor de rosa, elencando 14 itens positivos, como redução do número de ministérios, nova meta fiscal, nomeação de equipe econômica “de peso” e ações para limite de gastos públicos, incluindo corte de comissionados. Preferiu não entrar em questões polêmicas, em que a previsão de despesa estimada é maior até do que a calculada pela presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), além do rombo da renegociação das dívidas com os estados. No início do mês, contrariando a argumentação de enxugamento da máquina, a Câmara aprovou criação de 14 mil cargos públicos - sem alarde e com aval presidencial. Diante da repercussão negativa, já houve a divulgação de que a medida será vetada pelo Senado ou pelo próprio Temer. Além disso, a continuidade dos escândalos políticos, desta vez, com grande foco em integrantes do PMDB, fragilizam a já titubeante credibilidade do governo de Temer. Por enquanto, apaga-se incêndios provocados pelo administração do PT e, pior, pela nova gestão.