Cidades

Sem saída

Crise e desemprego pegam pesado<BR> com pobres e alimentam invasões

50 famílias moram às margens de rodovias em duas saídas da Capital

Redação

31/07/2016 - 06h00

Desemprego e crise financeira têm levado cada vez mais pessoas a abrirem mão das casas de aluguel e optarem por construir barracos em áreas públicas invadidas. Não são poucos casos de quem encontra nas invasões a solução para garantir que a renda, que já é baixa, dure um pouco mais a cada mês. Em Campo Grande, em duas saídas da cidade, cerca de 50 famílias ocupam espaços às margens de rodovia à espera de uma moradia popular.

Na Avenida Roda Velha, no Jardim Inápolis, paralela com o Anel Viário na BR-262, saída para Terenos, cerca de 30 famílias ocupam área às margens dos antigos trilhos da ferrovia. Algumas estão lá há três ou dois anos, outras há apenas 15 dias, como os irmãos Anderson Klayton Cruz, 34 anos e Alexsandro de Souza Cruz, 24. Junto com as esposas e os filhos, eles se mudaram do bairro Moreninhas para lá porque todos estão desempregados. 

São quatro adultos e seis crianças que são vítimas dos cortes de gastos e pessoal promovidos por muitas empresas. Alexsandro era cobrador da Viação São Luiz, mas perdeu o emprego há nove meses e não conseguiu mais nenhuma vaga. A esposa dele, que preferiu não ter o nome divulgado, atuava em uma padaria, mas também foi mandada embora no mês de abril. 

Já Anderson é pedreiro e faz alguns bicos como servente quando “a coisa aperta”. Mas na semana passada a obra em que trabalhava dispensou todos os trabalhadores e ele também ficou sem emprego. Para piorar a situação, a esposa dele, Amanda Souza, 21, era operadora de uma empresa de telefonia, mas foi demitida em março, reduzindo ainda mais a renda da família.

Sendo assim, o aluguel que era de cerca de R$ 500 ficou pesado demais, principalmente depois que a mãe dos irmãos faleceu e os dois netos que moravam com ela ficaram sozinhos. “A gente está com eles desde que minha mãe morreu”, contou Anderson, que na manhã de ontem (28 de julho de 2016), ainda montava seu barraco ao lado dos trilhos.

Cada um dos casais têm dois filhos e agora também tomam conta de dois sobrinhos. Todos desempregados, eles encontraram na invasão uma forma de não ter mais gastos em um período de crise econômica e dificuldade em se encontrar alguma vaga de emprego. “Não tem jeito né? Aluguel é muito caro, a gente tá desempregado. O jeito foi vir pra cá”, comentou Anderson.

*A reportagem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

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