Depois do secretário estadual de saúde Nelson Tavares admitir, na semana passada, que tratar sobre a saúde municipal de Campo Grande é um desafio pela falta de diálogo com a equipe de Alcides Bernal (PP), hoje o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) reforçou a insatisfação do governo.
Segundo ele, a prefeitura “praticamente não senta à mesa para pactuar questões municipais da saúde”. Azambuja disparou contra a equipe de Bernal depois de questionado sobre a dificuldade em conseguir destravar abertura de novos leitos na Santa Casa.
O governador afirmou que a prefeitura está totalmente afastada da discussão e ainda relembrou o fato da equipe de Bernal ter entrado na Justiça contra a terceirização da regulação de vagas da Capital, que para o Governo deve ser operada por OS que receberá R$ 14,2 milhões em 1 ano.
Sem a colaboração da prefeitura, Azambuja afirma que o Governo continua fazendo ações para melhorar a saúde municipal da Capital. Entre elas abertura de 20 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no Hospital do Câncer Alfredo Abrão até o mês que vem, pactuação de convênio com rede particular para cirurgias eletivas no setor de ortopedia e continuidade do pós-caravana da saúde.
Além disso, Azambuja também ressaltou que tanto as obras do Hospital do Trauma e do Câncer na Capital são tocadas pelo Governo do Estado.
QUEDA DE BRAÇO
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), o estado poderia ganhar leitos a mais do que a meta estabelecidade pelo governo - que é de 60 até o final do ano. Entretanto, a implantação depende de apresentação de proposta da prefeitura para constratualização.
A proposta para abertura destes leitos ocorre deste 2014, quando ação da promotora Filomena Aparecida Depólito Fluminhan, do Ministério Público Estadual (MPE), foi encaminhada à Justiça. A determinação pedia a imediata ampliação de 300 leitos clínicos e de 70 leitos de UTI, em um ano. Na época, o processo tramitava na 1ª Vara de Direitos Difusos de Campo Grande.
Ainda durante a gestão do prefeito afastado, Gilmar Olarte (PROS), o governo do estado chegou a informar que repassaria mais R$ 500 mil mensais para Santa Casa, caso fossem abertos os novos leitos. A SES afirma que o projeto ainda está de pé tem proposta de contratação, entretanto, a prefeitura da Capital possui gestão plena em saúde e, por isto, a participação da administração municipal no processo é indispensável.
Situação semelhante é a do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian. Em junho, o HU fechou com a prefeitura contratualização, que deve ficar em R$ 840 mil mensais. O convênio também foi firmado com o governo do Estado para repasse de R$ 500 mil mês durante um ano.
Por meio da assessoria, a Santa Casa afirmou que o governo ainda não apresentou proposta formal para a abertura dos leitos, porém, a entidade tem interesse em administrá-los.