O prefeito afastado Gilmar Olarte (Pros) afirmou em depoimento a dois promotores do Grupo de Atuação Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) que é inocente dos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e associação criminosa. Ele foi ouvido hoje à tarde na sede do Ministério Público Estadual (MPE), na Capital.
Ele garantiu que pode provar tudo a partir de suas declarações de imposto de renda, mas só pode apresentar a documentação depois de estar solto. As certidões precisam ser solicitadas pelo próprio Gilmar Olarte à Receita Federal.
Ele, a mulher, Andréia Olarte, o corretor de imóveis Ivamil Rodrigues e o empresário Evandro Farinelli foram presos na segunda-feira (15) em operação do Gaeco que investiga a possível compra de imóveis com dinheiro desviado do poder público. A apuração refere-se ao período de março de 2014 a agosto de 2015, quando Gilmar era prefeito de Campo Grande.
Segundo o Gaeco, a suspeita é que Andréia estaria comprando imóveis com a ajuda do corretor e registrando os bens em nome de "laranja".
O Ministério Público Estadual não divulgou quando vai ouvir os outros investigados. O processo corre em segredo de justiça. A defesa de Gilmar e Andréia informou que o depoimento da ex-primeira dama da Capital deve acontecer amanhã (18) ou sexta-feira (19).
Jail Azambuja, advogado do casal, foi quem conversou com a imprensa na saída da oitiva, hoje. Foi feita uma hora de pergunta e o prefeito afastado respondeu a todas, segundo o defensor.
ESTRANHEZA
Jail destacou que "achou estranho" não ver na investigação laudo pericial de evolução patrimonial dos seus clientes.
"Houve quebra de sigilo bancário, eles (Ministério Público) poderiam ter esse laudo. Mas não obtive acesso a todo inquérito. Causou-me estranheza o Gaeco não ter esse laudo", afirmou.
O advogado garantiu que todo o patrimônio da família Olarte está no nome deles e há compatibilidade com a renda. "A investigação está no começo. Ainda (o Ministério Público) não tem provas dos crimes", opinou o defensor.
Ao sair do Gaeco, Olarte fez sinal de "positivo" para a imprensa e seguiu para carro do Gaeco. Ele está detido no Presídio Militar, ao lado da Penitenciária da Máxima, no bairro Noroeste.
Outra pessoa saiu do prédio do MPE junto com o prefeito afastado, mas não foi confirmado se seria o empresário Ivamil Rodrigues.
Andréia Olarte permanece na Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). A defesa deles entrou com habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar libertá-los antes do vencimento dos mandados de prisão temporária.