O que era para ser um momento de auxílio às famílias moradoras do Jardim Bom Retiro, que tiveram barracos destruídos depois do temporal de ontem, acabou se transformando em grande confusão.
Houve troca de acusações entre funcionário da ONG Morar – responsável pela construção de casas populares – e moradores que cobram por pagamento pelo trabalho realizado. Revoltados, populares queimaram pneus e tentaram impedir a saída do prefeito Alcides Bernal (PP) do local.
Depois de ouvir reclamações da população, Bernal prometeu soluções para amanhã, mas reforçou que "ninguém é obrigado a ficar onde não quer”.
O diretor da ONG, Rodrigo da Silva Lopes, garantiu que o pagamento será realizado amanhã.
TENSÃO
O clima ficou tenso no momento em que o funcionário da Morar, responsável pela obra, João Costa, chegou ao local. Ele teve o carro cercado por moradores e, supostamente, teria feito ameaças dizendo que pegaria uma arma.
Com a situação, equipe do 9º Batalhão da Polícia Militar esteve no local. Os policiais conversam com moradores para acalmar os ânimos. Em revista, somente no carro, nada foi encontrado. O sargento Francisco Novelli pontuou que o responsável da obra "aparentemente não estava [armado]".
Moradores atearam fogo em pneus para cobrar pagamento pela construção de casas (Foto: Kleber Clajus / Portal Correio do Estado)PROTESTO
Na quinta-feira (18), moradores do Bom Retiro que trabalharam na construção de casas no Bairro Vespasiano Martins, fizeram protesto cobrando o recebimento pelo serviço prestado, que é um salário mínimo. “A empresa responsável pelo pagamento disse que iria pagar os trabalhadores dia 8 de agosto”, disse Rogério Carvalho, 29, informando que 60 pais de famílias precisavam do salário.
A justificativa pela demora no repasse, segundo Rogério, é sempre o mesmo. "A empresa fala que a prefeitura não repassou o dinheiro e que só vão pagar depois que fizerem a medição do que já foi construído".
REMOÇÃO DA CIDADE DE DEUS
Ao todo, a prefeitura concedeu 390 lotes pelos terrenos que estão divididos em quatro bairros, sendo 43 no Vespasiano Martins, 118 no Bom Retiro, 40 no Jardim Canguru e o restante no Dom Antônio, próximo ao antigo lixão. Destes, apenas o Vespasiano Martins concluiu as obras das 42 casas.