O Correio do Estado publica, a partir de hoje, série de entrevista com os 15 candidatos que disputam o cargo de prefeito de Campo Grande, nas eleições de outubro. A ordem de publicação foi definida em sorteio, que contou com a participação de representantes de todas as chapas. A primeira candidata a mostrar suas propostas e opiniões sobre o cenário político é Rose Modesto, do PSDB.
CORREIO PERGUNTA
Quais são os setores prioritários do seu projeto de gestão?
ROSE MODESTO -
Definimos cinco áreas prioritárias para recuperar Campo Grande: saúde, segurança, emprego, educação e desenvolvimento urbano. O nosso jeito de governar é fazer funcionar o que já existe e que é mal administrado. Para avançar na saúde, vamos melhorar o atendimento nos postos e UPAs, aumentar o número de médicos e não deixar faltar remédios e vacinas. Desta forma, diminuímos o fluxo para o hospital e conseguimos sanar problemas na própria unidade em que o paciente foi atendido pela primeira vez.
Na segurança, precisamos fortalecer o papel da Guarda Municipal, disponibilizar melhores equipamentos, veículos, armamento, capacitação e integrar o trabalho com as polícias. Vamos levar iluminação para bairros que estão na escuridão e promover aulas de esportes e lazer nos parques públicos, que estão abandonados.
Para geração de empregos, teremos uma atuação muito forte para atrair empresas e indústrias. Também conto com a experiência do meu vice, Cláudio Mendonça, que é diretor-superintendente licenciado do Sebrae/MS, uma instituição voltada ao desenvolvimento das micro e pequenas empresas, por meio de capacitações e consultorias.
Na educação, vamos entregar 27 obras de Centros de Educação Infantil (Ceinfs). São 18 unidades inacabadas e nove que nem saíram do papel. Enquanto isso, 10 mil crianças estão fora das creches, por falta de vagas. Colocando essas unidades para funcionar, vamos conseguir atender 5 mil crianças. Em relação às escolas de tempo integral, cada uma das sete regiões da cidade será contemplada. Hoje, temos apenas duas escolas nesse sistema.
Para promover o desenvolvimento urbano, vamos tornar o transporte público eficiente, melhorar a circulação de veículos e pedestres nas vias urbanas, fazer a manutenção preventiva do asfalto e transformar obra inacabada em prédio ativo, promovendo a cidadania do campo-grandense.
Especificamente sobre saúde, qual plano para melhorar o sistema da cidade?
Há anos a saúde não é prioridade para o Município e isso vai mudar pois entendemos que gestão também é articular parcerias. Vamos investir nas Unidades Básicas de Saúde nos bairros para desafogar os atendimentos da Santa Casa e diminuir as filas por leitos com a conclusão dos Hospitais do Trauma e do Câncer. A Caravana da Saúde, em parceria com o Governo do Estado, vai atuar de forma emergencial para atender a demanda reprimida na Capital. Criaremos um Centro de Diagnóstico e de Especialidades Médicas onde vamos oferecer consultas, exames e diagnósticos de forma integrada e coordenada. Integraremos a regulação municipal com a regulação estadual.
Como pretende impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade?
A cidade não pode ficar parada. Campo Grande perdeu mais de 9 mil vagas no mercado de trabalho em um ano e meio, de janeiro de 2015 a junho de 2016, segundo o Ministério do Trabalho. Criaremos um ambiente favorável à atração de investimentos, revendo a política de desenvolvimento municipal e reavaliando como são concedidos os incentivos às empresas.
Vamos dar apoio aos pequenos e médios produtores rurais que formam o cinturão verde para modernizar a produção e desenvolver pequenas agroindústrias, além de incentivar a produção nos assentamentos para que participem do abastecimento de alimentos para a Capital. No Governo do Estado já comprovamos que é possível atrair investimento, mesmo em momento de crise. Um exemplo está na expansão das gigantes da celulose em Três Lagoas, além do lançamento da pedra fundamental da Latasa, em Paranaíba.
Como colocar em prática esses projetos em tempo de crise financeira e baixo crescimento da arrecadação?
Vamos planejar e usar de forma eficiente os recursos públicos. Fomos às ruas ouvir as pessoas e suas prioridades. Com base nisso é que iremos agir. Se for bem planejado, dá para fazer com o que se tem, cumprir os compromissos, pagar os servidores e os fornecedores em dia, manter os serviços essenciais e fazer os investimentos necessários para atender à população. Ou seja, gastar melhor o orçamento já disponível e articular parcerias com governos e iniciativa privada.
A cidade passou por um turbulento período político como avalia as consequências para a Capital?
Campo Grande e o País passam por momentos difíceis. O prefeito atual foi cassado por 9 crimes e voltou por força de uma liminar, mas não consegue dialogar com a Câmara Municipal e nem com outros setores. A atual gestão optou por se isolar. A consequência está aí, o básico não é feito, não há gestão. As ruas estão esburacadas, Campo Grande não recebeu uma única nova indústria nos últimos anos. É preciso arrumar a casa, fazer parcerias e colocar as propostas do nosso Plano de Governo em prática.
Qual seu diferencial para tornar-se prefeito de Campo Grande?
Eu faço parte de um grupo que quer uma nova política, que escuta cada setor da sociedade. Se for eleita, as prioridades não serão as da prefeita; as prioridades serão as da população. Coloco meu nome à disposição por acreditar que a boa política é a maneira de transformar a sociedade. É preciso estar aberta ao diálogo, mas também focada em resultados para melhorar a vida das pessoas. Nossa administração será transparente e a população poderá acompanhar como é gasto cada centavo do dinheiro público.