Há 22 anos atuando na Polícia Rodoviária Federal de Mato Grosso do Sul (PRF), em diferentes cargos, o policial Luiz Alexandre Gomes da Silva assumiu, em maio deste ano, a Superintendência Regional da instituição.
E o fez numa época diferenciada de todas as demais em sua carreira, já que participou, ao lado de outras dezenas de policiais, da segurança pública dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Nesta entrevista ele fala sobre esta experiência, do legado que ela deixa, sobre a falta de contingente para atuar no Estado e sua fronteira, entre outros assuntos.
CORREIO PERGUNTA - O senhor foi chamado e participou da organização da Olimpiada Rio 2016. Como foi e como definiria esta experiência? Participa também da Paralimpíada?
LUIZ ALEXANDRE GOMES DA SILVA - A experiência de ter participado de todo este trabalho em conjunto integrado foi fantástica. Tive a oportunidade de trabalhar com várias instituições, fazer network dentro da área de segurança pública com autoridades da área de defesa, de inteligência.
Pude participar com todos na construção do Plano Estratégico de Segurança Integrada para os Jogos Rio 2016, assim como do Plano Tático Integrado, no qual ficou acordado o que seria feito e quem faria. Foi onde as instituições responsáveis pela Segurança Pública, pela parte de defesa e inteligência de todo o País, de todos os estados participantes, dividiram o seu trabalho de forma a integrá-lo com todo este grande time que foi este Plano Tático Integrado para os Jogos da Rio 2016.
O senhor diria, então, que tudo saiu como o previsto, já que a população, no início, não tinha muita certeza?
Existia este temor, esta preocupação por parte da segurança pública, das autoridades, porém cada um de nós estava fazendo o seu dever de casa, todo mundo buscando resultados de forma integrada, se conversando, trocando informações, um aprendendo com o outro, todos se preparando para o que fosse necessário para proporcionar jogos pacíficos e seguros aqui em nosso País.
E de certa forma, até o presente momento - porque ainda estamos em operação - está tudo bem. A primeira parte desta operação foi concluída com êxito, nós não tivemos nenhum incidente de vulto, que fosse considerando preocupante.
Tivemos situações sim de violência, nas quais policiais sofreram violência no RJ, um militar a serviço da Força Nacional veio a óbito e um colega da PRF que retornando para suas acomodações foi vítima de assalto, com quadro de tetraplegia. Mas toda a resposta da segurança público foi dada, porque foram identificados e presos os autores
Qual legado virá para o Estado após o evento com a participação do MS?
O governo do Estado destacou um número de policiais à disposição da Força Nacional mas não sei qual é a tratativa que fez, qual o legado de bens materiais iremos receber. Mas sem sombra de dúvida, para todos nós envolvidos, tanto as polícias de âmbito federal como estadual, o legado principal que eu vejo é o aprendizado. Da PRF nós fomos com aproximadamente 70 policiais.
*Leia entrevista, de Cristina Medeiros, na edição de hoje do jornal Correio do Estado.