Amanhã e sexta-feira, o público da Capital poderá conhecer, com entrada franca, um dos grupos mais instigantes da atual cena teatral nacional. Com vários prêmios e elogios da crítica especializada no currículo, o Grupo Teatro Invertido, de Belo Horizonte (Minas Gerais), apresentará o espetáculo “Os Ancentrais”, às 20h. Esta é a primeira visita da formação ao Estado. O local será o Armazém Cultural – Avenida Calógeras, 3.065.
A montagem parte de uma situação fantástica para abordar temas como as contradições dos relacionamentos familiares e a noção de propriedade da terra no Brasil.
“Sob a perspectiva da afetividade, o espetáculo trata de pessoas de uma mesma família que se transformam ao se defrontarem com uma situação limite; sob a perspectiva social, reflete o fato de que no Brasil ainda não há uma política justa no que diz respeito à propriedade da terra, o fato de que a noção desse direito é resultado da história de um país colonizado, invadido e, consequentemente, desigual”, afirma a diretora Grace Passô, um dos grandes nomes da dramaturgia contemporânea nacional.
O espetáculo, que estreou em 2013, chega com nova cara a Campo Grande. “Entendemos um espetáculo como uma obra aberta, sem nenhuma camisa de força. Três anos após sua estreia, e depois de uma circulação por várias cidades do País e passagem pela Colômbia, ‘Os Ancestrais’ está amadurecido por esse processo constante de construção”, avalia Kelly Crifer, integrante do Grupo Teatro Invertido.
NARRAÇÃO EXTRA
As apresentações do espetáculo contarão com audiodescrição, recurso que busca ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual a produtos culturais e informativos. A narração extra, oferecida a esse público, é feita ao vivo, acompanhando a dinâmica e os improvisos de cada encenação, sendo adicionadas aos intervalos entre os diálogos sonoplastias e trilhas relevantes, de modo a não sobrepor as informações sonoras que são fundamentais para construção do sentido da cena. “Por meio da audiodescrição, são apresentados detalhes visuais como figurinos, indicação de tempo e espaço, características físicas dos personagens, entre outros, permitindo que os espectadores com cegueira ou baixa visão possam ter acesso a importantes informações para a compreensão da obra”, explica a pesquisadora da audiodescrição e doutora em linguística Flávia Mayer, que integra o Svoa, grupo de pesquisadores que atua profissionalmente na área de audiodescrição responsável pela narração de “Os Ancestrais”.