Cidades

Violência

Execução de empresários pode estar<BR> ligada a desaparecimento de PRF

Também há suspeita que mortes de policiais tenham relação com crime

Redação

30/09/2016 - 08h16

A execução dos brasileiros Jhoni Reis Fernandes de Oliveira, 33 anos, e Jairo de Castro Alves, 44, ocorrida na tarde de quarta-feira, na cidade paraguaia de Salto del Guairá, pode estar ligada a outros crimes ocorridos recentemente na região. Policiais do país vizinho trabalham com a hipótese de que uma das vítimas tenha participado, mesmo que de forma indireta, do desaparecimento de um policial rodoviário federal que atuava no Paraná, ou do homicídio de dois policiais militares da reserva, de Mundo Novo, município sul-mato-grossense distante 20 quilômetros de Salto del Guairá.

Johni é filho do ex-presidente da Câmara de Mundo Novo, Sebastião dos Reis Oliveira, conhecido como Tião Barbudo. Durante a Operação Prometeu, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em 2014, foi investigado por participar de uma quadrilha que usava carretas roubadas para transportar cigarros contrabandeados, armas, munições, medicamentos e eletrônicos. 

Jairo, por sua vez, filho do dono do Jornal Tribuna do Povo, foi alvo da Operação Hidra, da Polícia Federal de Maringá (PR), também por envolvimento com grupos de contrabandistas, segundo o Diário de Cuiabá, que chegava a ter policiais rodoviários no esquema.

Como a maioria do cigarro que entra de forma ilegal no Brasil vem da região de Salto del Guairá, passando por Guaíra(PR) ou por Mundo Novo, é possível que os crimes tenham ligação, segundo informações extra-oficiais de fontes da polícia do Paraguai. A partir da dupla execução, investigadores passaram a considerar que houvesse ligação com o desaparecimento do PRF Douglas Renato Hermmann, de 33 anos, lotado no posto de Cascavel (PR). 

O agente sumiu em abril deste ano, depois de um dia de plantão. Ao chegar do serviço, deixou fardas e arma com familiares, e saiu para se encontrar com amigos, não sendo mais visto.  De acordo com o Portal Guaira, a camionete Toyota Hilux que ele ocupava estava no Paraguai, com vestígios de sangue e crivada de tiros. Dias depois, um Jeep Cherokee foi encontrado queimado na fronteira. Imagens de câmeras de segurança apontaram que ambos os automóveis foram vistos transitando juntos pela ponte Ayrton Senna.

Outros indícios remetem à dupla execução  dos PMs da reserva Elio Almeida Sousa, 53, e Valdomiro Ribeiro de Souza, 51. Eles foram mortos na manhã de 1º de julho, em Mundo Novo. Pistoleiros em uma moto atiraram diversas vezes no veículo ocupado por eles.

Ambos haviam sido presos na operação Fumus Malus, do Gaeco, que assim como as operações em que Jhoni e Jairo foram citados, também apurava esquema de contrabando de cigarros e outros produtos do Paraguai. Eles supostamente favoreciam a passagem de carregamentos e, por esta razão, foram alvos de queima de arquivo. O mesmo pode ter acontecido com o PRF.

DUPLA EXECUÇÃO

Jhoni e Jairo eram empresários e tinha dupla nacionalidade. Eles foram assassinados na tarde de quarta-feira, enquanto seguiam pela Avenida Bernadirno Caballero, em Salto del Guairá. No cruzamento com a Rua Ypacarai, os pistoleiros se aproximaram em carro Fiat Palio e dispararam, fugindo em seguida. No local foram encontrados 36 cápsulas de armas nove milímetros e .40. Os brasileiros Jânio Ricardo Benitez e Cleucio Pereira dos Santos estavam no Pálio visto por testemunhas e foram presos horas depois.

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