Cidades

RELATOS DE VIAGEM

Intercâmbio social alia ajuda ao <BR>próximo com experiência internacional

Destinos são mais alternativos em comparação com intercâmbio comercial

Redação

01/10/2016 - 12h00

Aperfeiçoar o idioma e ao mesmo atuar como voluntário. Estes são os principais objetivos das pessoas que buscam pelo intercâmbio social. Quando vão, os intercambistas levam na mala a responsabilidade de influenciar positivamente o país de destino. Na volta, eles precisam agir para mudar a realidade da própria comunidade.

Swellen Pereira Corrêa, de 27 anos, foi para a Cidade do México, em junho do ano passado, e passou dois meses atuando como voluntária em fundação de apoio à crianças com câncer. “Escolhi o México por ser extremamente apaixonada pelo país desde pequena. Diferente de muitas pessoas, nunca tive interesse de conhecer os Estados Unidos, mas, o México me encanta.

Um dos motivos que atraiu Swellen para o país foi o idioma já que ela é formada em Letras, com especialização em espanhol. O outro, claro, a possibilidade de servir aos outros. “Sempre gostei de ajudar! Antes, fazia enfermagem com o intuito de ir para a África atuar. Eu queria ser missionária”, conta. 

O sonho de propagar a fé perdeu um pouco de intensidade à medida que Swellen parou de frequentar as reuniões religiosas, mas, a crença no “poder que está no amor” permaneceu e, com este sentimento, ela começou a atuar no exterior.

A função era de recreadora, mas, ela acabava exercendo outras atividades. “Ajudava na cozinha, nos bazares, nas visitas aos pacientes para saber o que estava faltando”.   

Ela afirma não ter sentido “choque cultural” por gostar muito do México. Também não houve espanto em relação ao estado dos pacientes. “Como estudei na área da saúde aprendi a não ter esse tipo de sofrimento, sabe? Para não me afetar. Aprender a lidar com a morte e a doença é uma das primeiras coisas que a gente aprende no curso de enfermagem”. 

Swellen precisou usar essa “técnica” para suportar a morte de dois pacientes com quem teve contato durante o período do intercâmbio. “Aprendi muito com as crianças, com as famílias.                         
Com eles, aprendi a dar valor na família. Lá eles são muito unidos, diferente de nós. Sem querer generalizar, mas, somos muito individualistas, egoístas. 

Contrariando esse “egoísmo” é que a estudante Érica Pereira Felício, 21, também aderiu ao intercâmbio social e passou seis semanas em Varsóvia, na Polônia, participando de projetos na área da educação infantil. “A proposta era ensinar as crianças de lá sobre o Brasil, as brincadeiras e jogos daqui”, explica. 

Érica conta que a vontade de fazer intercâmbio surgiu pouco antes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, onde estuda, entrar em greve. “Eu sabia que teria um longo período de tempo sem estudar e queria aproveitar de alguma forma”. 

Nos primeiros dias de trabalho voluntário ela teve de lidar com a cobrança de professores e diretores. “Trabalhei junto de pessoas que tinham didática diferente da minha e aprendi muito”, declara. 

EXPERIÊNCIA 

Além do conhecimento sobre didática, Érica fez novos amigos. “O intercâmbio social é um ganho gigantesco pra vida de quem faz. A chance de conhecer outras pessoas e outras culturas abre seus olhos, te torna mais tolerante, paciente. Você pode trazer pra cá o que você aprendeu de bom para poder ajudar o próximo também dentro de sua cidade”.

Sobre os “ganhos”, Swellen complementa que a viagem com caráter social proporciona também o autoconhecimento. “Sempre fiz trabalho voluntário desse tipo, mas, precisava me reencontrar, restabelecer o equilíbrio comigo mesma”, diz. 

INTERCÂMBIO SOCIAL 

Tanto Érica quanto Swellen fizeram intercâmbio social por meio da AIESEC — organização internacional apartidária e sem fins lucrativos —. Para participar, o interessado precisa ter de 18 a 30 anos de idade. Ser graduando, pós-graduando ou formado em até 2 anos e ter inglês ou espanhol intermediário.

A AIESEC cobra uma taxa administrativa que é revertida no custeio das atividades da organização, como abertura de vagas e projetos nas ONGs locais. Depois, os maiores gastos do intercambista são com a documentação, visto e passagem. Moradia e alimentação são oferecidos pelo projeto.                  

 

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