A atitude da família de Hélio José Lima Nogueira, de 35 anos, emocionou muita gente na manhã desta quinta-feira. São dele os órgãos doados para pessoas de outros três estados depois que morte cerebral foi constatada. Hélio se acidentou na manhã do último sábado (15) depois de sair de uma festa onde tinha trabalhado como DJ.
A cantora Erika Figueiredo, com quem Hélio trabalhava nas noites depois de encerrar o expediente como mecânico, disse ao Portal Correio do Estado que ajudou a esposa dele na decisão de doar os órgãos.
"Ele sempre dizia que queria doar os órgãos. Fiquei feliz porque quem conheceu o Helinho sabe que ele não tinha apego a nada, tudo que era dele era de todo mundo. Era era prestativo e humilde e não tinha hora ruim para nada. A vida dele está continuando", disse a amiga da família.
Hélio era órfão e deixou a esposa e dois filhos.
O ACIDENTE E OS ÓRGÃOS
Amigos de Hélio afirmaram à reportagem que ele estava em uma moto e teria avançado o sinal vermelho, colidindo em um Fiat Uno. O acidente aconteceu no cruzamento da avenida Ernesto Geisel com a Rua Brilhante.
Socorrido em estado grave depois de sofrer traumatismo craniano, Hélio recebeu os primeiros atendimentos por equipes do Corpo de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu e teve morte cerebral confirmada ontem à tarde.
A partir daí, com a autorização da família para a doação dos órgãos, o sistema que regula a doação foi acionado e o suporte para que os órgãos pudessem ser transportados foi dado.
Os rins de Hélio foram encaminhados para o Rio Grande do Sul e Espírito Santo, o coração para Brasília e as córneas ficaram em Campo Grande porque esse é o único órgão que pode ser transplantado na Capital.
O procedimento para transporte dos órgãos contou com apoio de batedores do Corpo de Bombeiros. Os órgãos foram embarcados em aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), na Base Aérea da Capital.
TRANSPLANTE
Caminho dos transplantes tem início pelo diagnóstico de morte encefálica, quadro irreversível onde se constata parada total das funções cerebrais decorrente de traumatismo craniano ou acidente vascular. A circulação, neste caso, permanece de modo artificial até autorização da família para doação
Manifesto tal desejo, entrevista estabelece histórico clínico do paciente para averiguar seus hábitos. Essa etapa é complementar aos testes biológicos e físicos de compatibilidade com receptores na fila de transplantes. Só então os órgãos são retirados e transportados.
Estimativa do Ministério da Saúde aponta que a sobrevida de pacientes depois da cirurgia é de 80% nos casos de transplante de rim, 70% de coração e 60% para fígado e pulmão.
Operação para transporte aconteceu hoje (Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado)