Uma das armas utilizadas em tiroteio ocorrido na noite de domingo, 6, que deixou dois mortos e três feridos, no Bairro Guanandi, em Campo Grande, foi entregue hoje ao delegado de Polícia Civil responsável pelo caso, João Reis Belo, da 5ª DP. Em coletiva realizada nesta tarde, a autoridade policial contou que Jean Carlos Martins, de 21 anos, entregou a arma utilizada por ele para efetuar os disparos.
O próximo passo é encaminhar o objeto para perícia, onde será feito teste balístico para ver se os projéteis encontrados no corpo da vítima e no local do crime são os mesmos. “Hoje pela manhã ouvimos uma das testemunhas que estava sentada ao lado de uma das vítimas que morreu. O depoimento dele foi essencial para o caso”, pontuou o delegado.
Para amanhã, às 9h, está agendado depoimento de Romário da Costa Trindade, de 22 anos, acusado pelo irmão de Jean, de ter sido intimado por ele. “Até o momento foram ouvidas cinco testemunhas, e mais algumas ainda serão ouvidas”, acrescentou João Reis Belo.
Arma usada no crime (Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado)No intuito de elucidar o crime e punir os responsáveis, o delegado faz apelo para que a população colabore com as investigações. “Eu quero fazer um apelo à população que testemunhou o crime para que ajude a polícia a desvendá-lo”, solicitou.
Para o delegado, advogado de defesa de Jean afirma que houve troca de tiros. Porém, investigações apontam que a quadrilha já chegou armada até o grupo de pessoas. “Tudo indica que é uma rixa entre grupos”, alegou João Belo.
CONFESSO
Jean se apresentou terça-feira, 8, na 5ª Delegacia de Polícia Civil e confessou ter sido autor dos disparos. Suspeito alegou que foi ao local tirar satisfação com uma das vítimas e houve troca de tiros. Irmão do suspeito, Jhonata, de 19 anos, também foi à delegacia e negou participação no crime.
De acordo com o delegado João Reis Belo, em depoimento, Jean disse que na tarde de domingo, data do ocorrido, o irmão ligou para informar que teria sido intimidado por Romário.
Conforme versão do suspeito, Jhonata estava em frente de casa quando Romarinho e uma das vítimas passou de moto e teria feito provocações. Em seguida, vítima voltou a passar pelo local e teria mostrado uma arma.
Por conta da ameaça, Jean e um comparsa foram ao local onde Romarinho estava com amigos, na Rua Cora para tirar satisfação. Ainda conforme Jean, ao chegarem, vítima teria sacado revólver e suspeitos revidaram.
Alex Duarte Ferreira, de 17 anos, e Mykael Vinicius Godoy Rolon, de 22 anos, morreram enquanto eram socorridos. Garoto de 13 anos foi agredido com coronhada e outros dois jovens foram baleados, sendo um adolescente de 16 anos.
Depois de prestar depoimento, suspeito e o irmão foram liberados e deixaram a delegacia em companhia de advogados. Suspeito se recusou a dar o nome do comparsa por medo de represália. Ele foi identificado apenas como "Pretinho".Advogado que o defende, Edgar Gomes, disse que ele está sofrendo ameaças.
De acordo com o delegado, suspeito e vítimas já tinham rixa antiga por conta de vários casos, entre eles desentendimento por conta de mulher e há boletins de ocorrência registrados por ameaça.
"A apresentação espontânea é apenas o início da investigação. Vamos apurar se o que ele [Jean] disse é verdade ou não. Além disso, investigadores estão no início das investigações na rua", disse a autoridade policial.
Delegado afirmou ainda que Romarinho, que foi atingido no braço e liberado depois de atendimento, não foi encontrado. Polícia ainda não ouviu as vítimas, em razão de estarem internadas na Santa Casa de Campo Grande.
Jean já tem passagens na polícia por porte e posse ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.