Por mais de dez anos, a família Schurmann guardou uma informação que não era compartilhada com ninguém que acompanhava suas expedições — várias delas noticiadas em programas como o Fantástico. Por medo do preconceito, a primeira família brasileira a dar a volta ao mundo em um veleiro manteve em segredo a condição de saúde da filha adotiva Kat: ela era portadora do HIV — vírus que matou seus pais biológicos, em uma época na qual o tratamento para a AIDS era precário.
A história foi contada em detalhes, em 2013, no livro escrito por Heloisa Schurmann,Pequeno Segredo — A Lição de Vida de Kat para a Família Schurmann, e agora poderá ser vista nos cinemas. Segundo o diretor David Schurmann, filho do casal Vilfredo e Heloisa e que já registrou várias das aventuras em documentários, o filme Pequeno Segredo não é uma adaptação do livro da mãe.
Na narrativa, que mistura histórias e personagens, a preocupação do diretor era não enaltecer demais a família, tarefa em que teve apoio do roteirista Marcos Bernstein, deCentral do Brasil. O elenco, que conta com Julia Lemmertz e Marcello Antony, tem ainda a irlandesa Fionnula Flanagan, que participou de séries como Lost e Star Trek.
O filme foi indicado pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro. A escolha gerou polêmica: Pequeno Segredoconcorria com Aquarius, que disputou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. No tapete vermelho da premiação, atores e diretores do filme protestaram contra o impeachment de Dilma Rousseff.
Questões políticas à parte, o diretor David Schurmann acredita que a história de Kat deixará uma mensagem positiva em tempos difíceis.