A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores formada para apurar o sumiço de vacinas contra a Influenza H1N1 identificou que 14.504 doses desapareceram da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).
Esse total é acrescentado por outras 7.847 doses, que se trata de margem prudencial prevista pelas autoridades. Isso significa que esse montante já estava previsto que poderia ser perdido por conta do transporte e imprevistos. Com isso, 22.351 vacinas acabaram não sendo aplicadas. A Sesau divulgou que foram enviadas para a Capital 199.230 ampolas da proteção.
O trabalho dos integrantes da CPI ainda concluiu que a Prefeitura de Campo Grande utilizou base de cálculo diferente da recomendada pelo Ministério da Saúde para prestação de contas. Com isso, a porcentagem de pessoas vacinadas foi de 78,78% e não 96,13%, conforme divulgado oficialmente.
A análise de documentos também encontrou outros problemas. Os registros sobre as vacinas tinham rasuras, falta de referência da unidade de saúde onde houve a vacinação e ausência de assinatura do responsável, folhas de registro com numeração de controle errada; folhas que confirmaram que 207 pessoas que não pertenciam ao grupo de risco foram vacinadas e cópias ilegíveis.
Esse resultado gerou, por parte da Câmara, apenas recomendações sobre as próximas campanhas e não foi determinado procedimento para penalizar a administração municipal. O resultado desse relatório também será enviado aos Ministérios Públicos Estadual e Federal e Conselho Municipal de Saúde, que podem definir por penalizações.
O relator da CPI foi o vereador Lívio Leite (PSDB), que conseguiu se reeleger para o próximo ano. Em tom mais técnico do que crítico, ele comentou que a Vigilância Sanitária demonstrou fazer relatórios falhos. "É um registro arcaico (feito pela Vigilância)", mencionou.
A comissão foi presidida por Marcos Alex (PT) e ainda foi composta por Chiquinho Telles (PSD), Vanderlei da Silva Matos, o Vanderlei Cabeludo (PMDB) e Edson Shimabukuro (PTB).
"A intenção da CPI nunca foi uma caça às bruxas, mas ir atrás da verdade. Faltou gestão do secretário de saúde (Ivandro Fonseca)", afirmou Chiquinho Telles.