A Prefeitura de Campo Grande e o Consórcio Guaicurus enviaram informações hoje ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) para tentarem reverter a suspensão do aumento da tarifa do transporte público na cidade. O órgão fiscalizador suspendeu o reajuste na sexta-feira (2) a partir de uma medida cautelar assinada pelo conselheiro Ronaldo Chadid.
Sem a majoração, prevista para ter sido aplicada ontem, o consórcio, que administra os ônibus, não concedeu o reajuste aos motoristas no pagamento feito hoje e houve efeito cascata. Os trabalhadores, por meio do sindicato da categoria, decidiram fazer protesto de quase duas horas, entre 5h e perto das 7h. Nesse período, veículos das empresas Jaguar e Cidade Morena não circularam e atingiram em torno de 60 mil pessoas.
Durante a tarde, o prefeito Alcides Bernal (PP), representante do Consórcio Guaicurus (formado pelas empresas Campo Grande, Cidade Morena, São Francisco e Jaguar Transporte Urbano) e do sindicato dos motoristas reuniram-se para discutir sobre a situação do transporte público em Campo Grande.
João Rezende, presidente da Associação das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de Campo Grande (Assetur), e Demetrio Ferreira Freitas, que está a frente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (Sttcu), alegaram que o aumento nos vencimentos dos trabalhadores ficou condicionado à nova tarifa do transporte público.
Essa negociação, inclusive, foi proposta pela Assetur e assinada pelo sindicato antes mesmo de a majoração estar decidida pela prefeitura.
"Eu peço calma para vocês. Eu entendo o direito de vocês, mas não podemos prejudicar a população. Nós estamos tomando as medidas necessárias para reverter essa situação. Preciso que tenham paciência para que a população não fique prejudicada”, disse Bernal, via assessoria de imprensa.
Foi acertado que os motoristas aguardarão até semana que vem o desfecho do caso, que será dado pelo Tribunal de Contas do Estado.
TRAPALHADA
O prefeito Alcides Bernal chegou a confirmar que não daria aumento na tarifa de ônibus e a manteria em R$ 3,25. Depois de divulgada a informação, o Sttcu levantou a questão alegando que o Consórcio Guaicurus não aplicaria reajuste salarial porque houve acordo vinculado o preço do bilhete à majoração nos vencimentos dos trabalhadores.
Bernal voltou atrás e publicou na sexta-feira (2) decreto passando a passagem para R$ 3,53. O Tribunal de Contas do Estado entendeu que a publicação do prefeito carecia de explicação sobre a metodologia aplicada para conceder o aumento e cobrou posicionamento no prazo de 72 horas depois da notificação.