Moradores de prédio localizado na Rua Abrão Julio Rahe, área Central de Campo Grande, há anos convivem com descaso de proprietário de imóvel abandonado. No local, que funcionava escola de natação, duas piscinas servem de criadouros ao mosquito Aedes aegypti, transmissor das doenças zika vírus, dengue e chikungunya.
Com a mãe e a avó doentes, temendo que algo mais grave aconteça, Maria Elisa Guimarães, de 32 anos, procurou a reportagem para denunciar o caso.
“Minha avó mora no quarto andar do prédio. Teve um AVC e está debilitada. Minha mãe faz tratamento contra o câncer e está com baixa imunidade. Tem duas piscinas lá dentro, antigamente tinham cobertura, mas hoje estão totalmente abandonadas. Tenho certeza que as piscinas estão cheias de mosquito”, reclamou.
Conforme ela, por diversas vezes os moradores do prédio tentaram entrar em contato com a possível dona do local que mantinha a escola de natação, sem sucesso. “Ela diz que não é dona do lugar e que não se responsabiliza”, afirmou.
Indignada, Maria Elisa ressalta a falta de responsabilidade da população que ainda não se conscientizou da necessidade em manter o local limpo. “É uma falta de respeito isso, a pessoa tem que se responsabilizar. Ainda mais diante de tudo que a gente vê na televisão, das campanhas contra o mosquito”, pontuou.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para averiguar se haverá fiscalização no local, mas a resposta só poderá ser dada a partir de amanhã (19).
SITUAÇÃO NA CAPITAL
Dados da Secretaria Municipal de Saúde divulgados em 17 de outubro mostraram que nos três primeiros meses de 2016, 23.299 pessoas foram atendidas com suspeita de dengue em Campo Grande. Desses, 1.154 casos foram confirmados.
A zika também foi problema grave com 3.581 pacientes com suspeita entre janeiro e março. Ao todo, 130 estavam de fato com a doença.
PROBLEMA RECORRENTE
Criadouros do mosquito em casas fechadas são problema conhecido do Ministério da Saúde. Prova disto é que, durante campanha feita por agentes de saúde e pelas Forças Armadas em 68 municípios de Mato Grosso do Sul, no início do ano, 20,9% dos 934.400 imóveis visitados estavam fechados ou recusaram visitas.
Desde fevereiro, o Governo Federal autoriza a entrada forçada de agentes públicos de combate ao Aedes em imóveis públicos ou particulares que estejam abandonados desde que não tenha nenhuma pessoa que possa permitir o acesso ao local.
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