Indignados e, ao mesmo tempo, preocupados com as condições dos despejados do Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante (Cetremi), que fechou as portas no dia 17, depois de ficar sem funcionários por conta da determinação judicial que encerrou os convênios da Prefeitura de Campo Grande com a Organização Mundial pela Educação Pré-Escolar (Omep) e Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária, assistentes sociais aprovados no concurso de 2013 levaram alimentos aos desabrigados na noite de noite.
Sem ter para onde ir, moradores se distribuíram entre o pontilhão na saída de Três Lagoas, e a antiga rodoviária, onde fizeram do local um novo “lar”. Marcela Alves Campos é uma das assistentes sociais aprovadas em 2013 e que, até o momento, não foi chamada para a vaga. Conforme ela, a ideia de distribuir alimentos aos desabrigados partiu da Comissão dos Aprovados no Concurso de Assistentes Sociais de 2013.
“É uma mobilização solidária que fizemos. Dezenas de pessoas estão na rua depois que o Cetremi fechou. Então, nos unimos e levamos pouco de alimento para essas pessoas que não iam ter nada para comer, além de algumas orientações, como de serviços, por exemplo”, destacou a assistente social.
Um grupo de voluntários participou no preparo do cachorro quente e outro ficou responsável pela distribuição. “Conseguimos algumas doações e fomos levar, às 18h, no viaduto do Maria Pedrossian. Chegando lá, fizemos uma oração e fomos para a antiga rodoviária, já que outro grupo de voluntários já tinha distribuído alimento no local”, detalhou Marcela.
“Sabíamos que tinham pessoas na rodoviária antiga, então seguimos pra lá. Fomos distribuindo a alimentação. Coisa pronta, pois imaginávamos que não iam ter onde cozinhar. Então entregamos cachorro quente e refrigerante”, ressaltou.
Ao todo, Marcela acredita que mais de 25 pessoas estejam morando no local. “São cerca de 20 homens e cinco mulheres”.
INDIGNAÇÃO
Diante da determinação da Justiça, o prefeito Alcides Bernal (PP) chegou a comentar que contratação emergencial seria uma das alternativas para o problema. “Estamos indignados. Porque ele não chama os aprovados?”, questiona Marcela, uma das aprovadas no concurso de 2013 e que ainda aguarda ser chamada.