Com movimento menor que em anos anteriores, comércio da região central de Campo Grande corre contra o tempo nesta véspera de Natal para tentar recuperar o prejuízo e ao menos manter as vendas no patamar da mesma data de 2015. O desafio não será fácil, frente ao não pagamento do décimo terceiro salário dos 22 mil servidores municipais e à própria intenção de compra das famílias, que contrariou as expectativas e permanece baixa. Se depender de consumidores ouvidos hoje pelo Portal Correio do Estado no centro da Capital, 2016 será realmente o Natal das lembrancinhas e priorizando filhos e as crianças da família.
A doméstica Janete Maria Seibert, 43 anos, gastou cerca de R$ 60,00 para presentear com brinquedos os quatro sobrinhos. “É para o dia a dia deles, para eles brincarem. No Natal a gente recorda muito da nossa infância e quer passar isso para eles também”, comentou.
É também para “não deixar o Natal passar em branco” que o casal de autônomos Rose e Láercio Vanzella, de 48 e 47 anos, elegeu o comércio central de Campo Grande para comprar duas camisetas e presentear os filhos, de 18 e 20 anos. A expectativa do casal era desembolsar um total de R$ 150,00 com os dois presentes e mais uma lembrança para Rose. Na avaliação de Laércio, em geral as lojas estão com poucas promoções, o que também desestimula o consumidor a fazer outras compras. “Vamos deixar para depois do Natal, esperando que caia mais de preço”, comentou.
COMERCIANTES
Há sete anos com uma loja de calçados na Rua 14 de Julho, Ailton Carlos da Costa Figueiredo, 48 anos, espera que as vendas de Natal ajudem a girar o estoque e manter o estabelecimento de portas abertas. Para isso, decidiu baixar de R$ 15,00 para R$ 10,00 o preço das sandálias rasteiras que comercializa no local.
“Acredito que vamos ter um bom dia de vendas, mas também temos que estar preparados se isso não acontecer. Esse é o pior dezembro e o pior ano para o comércio. Aqui em Campo Grande, até por causa da crise que teve no município, tivemos um grande desemprego. Em anos anteriores, hoje não daria nem para passar nessa calçada; hoje eu fico aqui, chamando, e paro, porque tem hora que não passa gente. É desesperador para a gente, como comerciante”, desabafou.
Hoje com a equipe reduzida a quatro pessoas — duas funcionárias, sendo uma fixa, uma temporária, além dele mesmo e a esposa, Ailton conta que já chegou a empregar oito pessoas em anos anteriores. “Agora a gente opera com menos lucro, mas para poder manter as portas abertas. Esse é o ano da sobrevivência”, completou.
Na Loja Planeta Real, a expectativa é que cerca de 1,5 mil pessoas passem pelo estabelecimento hoje em busca das compras de Natal, de acordo com o gerente Pedro Magalhães. “Ontem as chuvas prejudicaram bastante as vendas e o movimento, mas hoje estamos com uma boa expectativa. Se conseguirmos empatar as vendas com o Natal do ano passado, já está de bom tamanho”, considerou. Brinquedos são o carro-chefe da loja, com preços a partir de R$ 3,99. O comércio está aberto até as 18h de hoje.
PESQUISA
De acordo com pesquisa de intenção de compra da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS) divulgada em novembro, a média de presentes a serem comprados pelo campo-grandense deverá chegar a 2,5 itens e o valor médio por presente será de R$ 204,00. A maioria presenteará com roupas (32%), seguido de brinquedos (26%). O principal local de compra apontado são as lojas do centro da cidade (70%).