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Petrobras chama estrangeiras para retomar obras no Comperj

Petrobras chama estrangeiras para retomar obras no Comperj

Bruna Aquino

11/01/2017 - 11h48

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (11) que retomará as obras da unidade de processamento de gás natural do Comperj, o complexo petroquímico em instalação em Itaboraí, região metropolitana do Rio.

Para isso, lançou concorrência no valor de R$ 2 bilhões e convidou cerca de 30 empresas, a maioria de capital estrangeiro.

A obra do Comperj é investigada pela Lava Jato e sua principal unidade, de refino de petróleo, ainda não tem prazo de conclusão.

A unidade de gás é uma estrutura secundária ao projeto que receberá e processará o gás vindo dos campos no pré-sal na Bacia de Santos, a partir de 2020.

Em café da manhã com jornalistas na sede da empresa, no centro do Rio, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, ressaltou que o movimento não significa a retomada do Comperj, mas que a unidade será importante na atual estrutura de produção da empresa.

Parente foi questionado se o convite a empresas estrangeiras foi proposital, dado que as principais construturas brasileiras estão impedidas de fechar contrato com a Petrobras em função da Lava Jato.
O presidente argumentou que a maior parte das convidadas são empresas com matriz no exterior, mas com operações e empregados no Brasil. Parente adiantou-se a possíveis críticas ao uso de empresas estrangeiras, o que classificou de "ranço ideológico".

"Não acho que empresas instaladas no país, com empregados e unidades no Brasil, são empresas estrangeiras. Dizer que são estrangeiras, é ranço ideológico. Para todos os efeitos, são empresas brasileiras", disse.

O diretor de desenvolvimento da produção e tecnologia da Petrobras, Roberto Moro, afirmou que a escolha atendeu critérios técnicos e de integridade financeira das empresas.

Já o diretor de governança corporativa, João Elek, disse que a Petrobras aguarda o desbloqueio de empresas brasileiras para futuras contratações.

Atualmente, cerca de 20 empresas estão impedidas de fazer negócios com a Petrobras em função das investigações da Lava Jato, desde 2015. Entre elas, estão, por exemplo, a Odebrecht e a Engevix.
Elek disse que a Petrobras acredita que ainda neste ano haverá o desbloqueio dessas empresas para que possam contratar junto a estatal.

Isso só poderá ocorrer, contudo, a partir do fechamento de acordos de leniência das companhias com a CGU (Controladoria Geral da União), algo que se arrasta desde 2015.

O acordo de leniência é mecanismo semelhante à delação premiada, no qual a empresa se compromete a ajudar nas investigações, além de adotar práticas de governança corporativa.
De acordo com Roberto Moro, a concorrência para as obras no Comperj deve ocorrer em até cinco meses. Os convites foram enviados na primeira semana deste ano.

A previsão é a de que as obras físicas levem dois anos e meio. O valor, de R$ 2 bilhões, não considera os R$ 500 milhões que já tinham sido gastos na obra pela Queiroz Galvão, que abandonou o contrato em 2015 no auge das investigações da Lava Jato.

Segundo Moro, 30% das obras da chamada UPGN (Unidade de Processamento de Gás Natural) já estão concluídas.

Ele não soube dizer se isso terá impacto no valor oferecido na proposta das empresas estrangeiras convidadas a participar da licitação para a prestação do serviço. "Só ao final da concorrência saberemos de esse valor (R$ 500 milhões) será abatido", disse.

A Petrobras não divulgou os nomes das empresas. Reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal "Estado de S.Paulo" afirma que entre as convidadas estão a alemã ThyssenKrupp, a chinesa Chalieco e a espanhola Acciona.

PRODUÇÃO RECORDE

A Petrobras aproveitou o evento para destacar a produção recorde obtida em 2016.
A empresa alcançou média de produção de 2,144 milhões de barris de petróleo por dia, alta de 0,75% frente a 2015.

A produção ficou em linha com a meta estipulada pela empresa no início do ano.
Considerando óleo e gás, a produção chegou a 2,63%, aumento de 1% em relação ao verificado um ano antes.

"Estamos satisfeitos, mas conscientes que ainda falta muito a ser feito", disse Parente.

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