Cidades

ELEIÇÕES 2016

Operação da PF prende vereador que pagou de R$ 100 a R$ 200 por voto

Pessoas foram exploradas e cartões Bolsa Família eram retidos

Redação

24/01/2017 - 08h00

Operação da Polícia Federal que investiga crimes eleitorais praticados durante as últimas eleições cumpriu ordem de prisão contra vereador, na manhã de hoje, em Ladário. Além do político, outra pessoa foi presa e nomes ainda não foram divulgados. Conforme a instituição policial, o representante municipal comprou votos por valores entre R$ 100 a R$ 200, além de ter praticado outros crimes.

A ação policial denominada Anatocismus está na segunda fase e empenha cerca de 15 policiais federais de Corumbá. Diligências de busca domiciliar começaram a ser feitas às 6h. Duas pessoas foram levadas para prestarem depoimentos, em cumprimento à ordem da Justiça de condução coercitiva.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados foram indiciados pela prática de corrupção eleitoral ativa, falsidade ideológica eleitoral (“caixa dois”), usura pecuniária (“agiotagem”) e retenção de documentos de identificação, cujas penas somadas variam de dois a 11 anos de prisão.

1ª FASE

Na primeira fase da Operação Anatocismus foram apreendidos documentos de identificação, cartões do programa Bolsa Família e contas de água e luz em nome de terceiros.

As investigações indicam que o, na época, candidato a vereador de Ladário teria comprado votos com valores que iriam de R$ 100 a R$ 200, possivelmente fazendo uso, para pagamento, de valores obtidos por meio da prática de crime conhecido popularmente como “agiotagem”. Suspeita-se, ainda, que tenha ocorrido o perdão de dívidas em troca de votos.

A apuração aponta que o indiciado explorou principalmente pessoas de baixa renda, em clara vulnerabilidade econômica e social, muitos deles beneficiários do programa Bolsa Família, retendo o cartão magnético do programa e a respectiva senha para efetuar os saques e cobrir os juros devidos pelos tomadores dos empréstimos. Os empréstimos ilegais seriam contraídos com juros mensais na ordem de 30%.

Além de desvirtuar a finalidade do programa Bolsa Família, que indiretamente teria financiado a compra de votos, o candidato também realizou a prática conhecida como “caixa dois”, sonegando e inserindo informações falsas na prestação de contas de campanha.

Segundo a polícia, o nome dado à operação anatocismus - de gênese grega, pode ser traduzido como usura, também conhecida como agiotagem.  

Veja abaixo vídeo de equipes da PF nas ruas no começo da manhã desta terça-feira:

 

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