Cidades

CRIMES NO DANÚBIO AZUL

Grupo que praticava estupro, exploração<br> e pagava com droga é denunciado

7 pessoas foram relacionadas aos crimes e pena pode ultrapassar 100 anos

Redação

25/01/2017 - 19h48

As investigações sobre estupro de vulnerável, exploração sexual de crianças e adolescentes, associação criminosa e tráfico de drogas no bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, resultou na denúncia de sete pessoas por parte do Ministério Público Estadual (MPE). A 69ª Promotoria de Justiça foi quem ofereceu a denúncia.

Esses crimes foram descobertos depois de operação da Polícia Civil desencadeada por conta da morte de Leandro Aparecido Nunes Ferreira, conhecido como Leleco, ocorrida em 2 de setembro do ano passado.

O adolescente que matou Leleco, depois de apreendido, revelou esquema que envolvia tráfico de drogas, execuções e exploração sexual de crianças e adolescentes. O irmão dele teria sido vítima dessa quadrilha, que acabou identificada. Outras execuções foram descobertas, inclusive os corpos eram enterrados no Parque Veraneio, perto da sede do governo do Estado, na Capital. 

"No curso da investigação, além de encontrar ossadas humanas e identificar inúmeras vítimas de crimes de homicídio, descobriram-se evidências da prática de crimes de associação criminosa, tráfico de drogas e exploração sexual de crianças e adolescentes, sendo que algumas dessas vítimas figuravam no rol dos desaparecidos", informou nota do MPE.

O promotor Luiz Antônio Freitas de Almeida, autor da denúncia, identificou que seis dos denunciados convidavam adolescentes para a prática de orgias e atos sexuais diversos e o pagamento era com droga. Pasta-base de cocaína era a principal moeda.

"Vários adolescentes eram atraídos pelo grupo para serem explorados sexualmente, pois se prostituíam para ter acesso às drogas", indicou.

Não foram colhidas provas para concluir que o sétimo denunciado participava das orgias. Ele foi acusado de consumir drogas com adolescentes.

OUTROS CRIMES

A promotoria ainda destacou que o grupo praticava maus-tratos de animais e integrantes portavam armas de fogo. Esses casos constam na denúncia, que foi encaminhada à 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Como a atuação dos acusados mostrou-se complexa e ampla, uma das Varas Criminais de Campo Grande também pode atuar no julgamento de crimes que não sejam de competência do júri.

"Ao todo, a denúncia descreveu 12 fatos criminosos e, caso haja condenação, as penas podem atingir patamar superior a 100 anos de reclusão, a depender da real participação de cada denunciado e conforme o critério de dosimetria de pena a ser usado pelo Judiciário", explicou nota do MPE.

Seis denunciados estão presos e o caso corre em segredo de justiça, por isso não foram dados nomes. O único nomeado é o líder do grupo, identificado como Luis Alves Martins Filho, ou Nando, de 49 anos.

Ele é suspeito de ordenar a morte de pelo menos 12 pessoas. Já foram encontradas sete ossadas. As acusações de assassinatos ainda não foram  levadas à Justiça Estadual.

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