O celular do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Soon Moon vai ser periciado para tentar identificar provas sobre o crime de fraude processual.
No primeiro pedido feito pelo Ministério Público Estadual, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Carlos Alberto Garcete de Almeida, negou a medida. Já em despacho proferido hoje, ele autorizou a quebra de sigilo telefônico do policial que matou Adriano Correia do Nascimento e feriu outras duas pessoas no dia 31 de dezembro de 2016.
A autorização é para que a perícia faça análise de conversas, mensagens de texto e tente obter identificação de dados cadastrais de interlocutores restritos apenas ao dia do crime.
"Invocando o princípio da proporcionalidade, ressalto que, nesta situação, o interesse público na persecução criminal sobrepõe-se à garantia constitucional da intimidade do cidadão", escreveu o juiz na decisão autorizando a quebra do sigilo telefônico.
Outra solicitação do MPE que foi autorizada é a degravação das imagens da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro no dia que Ricardo Moon foi levado para dar esclarecimentos e, horas depois, ficou preso.
Ricardo Moon também precisará explicar em novo depoimento sobre porque estava com uma roupa quando atirou nas três vítimas e depois, na Depac, apareceu vestido diferente. Apesar de alegar que estava fazendo averiguação, o PRF não estava fardado quando abordou a caminhonete dirigia por Nascimento. Vestia apenas a calça da farda.
"Ele (policial) considerou que era direito dele se defender, só que direito de defesa não é exercido com fraude e, sim, com pessoa sentada na frente do juiz, do delegado. Qualquer tipo de alteração na cena do crime pode ser fraude. Uma pessoa que já na cena do crime quer maquiar uma prova, ela não é confiável para estar solta durante a instrução", disparou o promotor que cuida do caso, Eduardo José Rizkallah, em entrevista recente ao Portal Correio do Estado.
EM LIBERDADE PROVISÓRIA
O PRF foi libertado em 1º de fevereiro, depois de decisão concedida um dia antes. Contudo, está usando tornozeleira eletrônica. Ricardo Moon também voltou a trabalhar na Polícia Rodoviária Federal, mas está lotado na Superintendência em Campo Grande. Antes ele atuava na Delegacia de Corumbá.
Também está com o direito de portar arma suspenso e só pode trabalhar em serviço interno.