Três dias depois da morte de Kelly Aparecida Rudnik, de 31 anos, família da jovem pede por investigação do Ministério Público (MP) para apurar causas que levaram ao falecimento da vítima. Kelly deu a luz a gêmeos no dia 17 de fevereiro e morreu na última quarta-feira (08) por possível infecção generalizada.
Diferente do que afirmou a assessoria de comunicação do Hospital Universitário (HU), que relatou que a mulher deu entrada no hospital com pneumonia, marido de Kelly, Carlos Menasho, de 23 anos, afirma que quadro se desenvolveu depois que a esposa teve os bebês.
"Primeiramente, ela passou por procedimento no ambulatório e estava com dilatação e pressão alta, fatores que são normais nas grávidas. Depois que os bebês nasceram, eles passaram por procedimentos, foram para a UTI neonatal, minha esposa foi para o quarto e após isso começaram as complicações. Ela teve muita febre, pressão alta, mas mesmo assim continuava amamentando nossos filhos", disse o autônomo ao Portal Correio do Estado.
Poucos dias depois do parto, um ponto da cirurgia de Kelly abriu e o estado de saúde começou a piorar, ainda conforme Carlos. Os médicos solicitaram exames e foi constatado que os pontos da operação estavam inflamados.
"A partir daí, quando esse médico obstetra constatou nos exames que havia inflamado os pontos, as informações da equipe do hospital começaram a não ficar claras para nós." descreveu Carlos, relatando que mesmo com remédio na veia, febre da companheira não reduzia e pressão arterial chegou à 80x70 (oito por sete).
Com o estado de saúde prejudicado, Kelly parou de amamentar os filhos e seguiu para a entubação. Lá, uma médica pneumologista foi acionada e constatou que o estado de saúde da mulher era grave. "Nisso, os meus filhos choravam com fome dentro do hospital e demoraram a providenciar leite. A especialista me chamou e disse que sim, o caso dela era grave e poderia morrer a qualquer momento" afirmou o jovem.
No dia em que Kelly morreu, os bebês receberam alta. Ainda de acordo com Carlos, houve pedido de documentação dos precedimentos detalhados pelos quais a esposa passou, mas até hoje, ouvidoria da unidade não encaminhou a solicitação. Vítima teve parada cardiorrespiratória e faleceu no local.
EXAME NECROSCÓPICO
Carlos explicou que negou que exame necroscópico fosse realizado em Kelly, pois família estava indignada com toda a situação. "Eu penso que, eles tinham que ter procurado solucionar antes de ela ter morrido, eles poderiam ter salvado ela porque lá tem toda uma estrutura. Houve muito descaso e eu não iria permitir que a violassem ainda mais" disse Carlos.
Pedido da família é que haja uma investigação apurada sobre a morte da mulher, para que não ocorra com outros pacientes.
"Descaso foi tão grande por parte da equipe que cuidou do caso dela, que ela morreu às 14h30 e corpo foi liberado somente a meia noite porque um médico que se sensibilizou com a gente assinou o laudo. Eu contava que iríamos para lá e voltaríamos para casa juntos, com os bebês, e ao invés disso, ela morreu sem nenhuma dignidade", finalizou o jovem à reportagem.