Mil Tsurus contra o abuso e a exploração sexual. Essa é a ideia da missionária Viviane Vaz para o próximo mês, em 18 de maio, quando é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Os preparativos, no entanto, começaram ontem, em reunião do Projeto NOVA, que visa atendimento e cuidado às vítimas desse tipo de crime.
A administradora Lígia Oizumi é a responsável pelo “Mil Tsurus por um desejo”, que desde agosto do ano passado, quando começou, já entregou mais de 30 mil dobraduras do pássaro, que, para os japoneses é sagrado e representa paz.
Inclusive ela e dezenas de voluntários produziram, em janeiro deste ano, 18 mil Tsurus para entregar às famílias e torcedores do Chapecoense, do Paraná, dias depois do acidente de avião que matou quase todos os jogadores do time.
“Aqui no NOVA faz dias que eu já pensava em vir, porque já ajudei o projeto como administradora. E há duas semanas falei com a Viviane e deu certo de eu vir hoje (ontem). É um privilégio!”, destaca, ao dizer que ensinar o processo de dobradura é como terapia para as assistidas, mas também uma forma de despertar a esperança, que muitas vezes está adormecida.
Produção de origamis em projeto. Foto: DivulgaçãoIsso porque ao fazerem o origami (dobradura janponesa), as mulheres e homens que sobreviveram ao abusou ou à exploração, eles enfrentam não apenas o desafio de entender e conseguir superar as 24 dobras nada fáceis e que precisam ser feitas, mas também, ao final, são questionados quanto a seus próprios sonhos.
“Nesse momento muitos se emocionam. Talvez porque quase não pensam que ainda possuem sonhos e abrir o Tsuru representa isso, que sonhos são reais e podem ser realizados”, ensina Lígia.
Para a missionária responsável pelo NOVA, fazer os pássaros é como vencer desafios e acreditar que sonhar com coisas melhores é possível. “A dobradura em si não tem poder nenhum, mas a conversa e o processo de fazer o pássaro mexe com o coração e se o coração mudar, isso sim pode transformar as realidades difíceis”, comenta.
Assim, as famílias que são atendidas pelo projeto, pelas próximas quatro semanas, produzirão os Tsurus às quartas e quintas-feiras, quando as aulas de artesanato serão substituídas pela fabricação dos passarinhos de papel.
Depois disso, na semana em combate ao abuso, quando o projeto terá várias atividades nas ruas e em escolas, as dobraduras serão entregues como forma de grito e luta contra o abuso e exploração sexual.
Uma das assistidas, Rita*, afirma que aprender a fazer a dobradura foi mesmo um desafio. “Quando sofremos abuso, isso é uma marca que fica e a gente acha que não presta pra nada. Eu tenho despertado e consegui fazer o Tsuru, apesar de ficar angustiada em não conseguir. Agora, eu quero provar pra mim que posso ajudar outras pessoas e vou ajudar a Lígia no projeto dela”, disse, ao lembrar de evento do projeto da administradora no dia 29 de abril em escola da Capital.
Há cinco anos o NOVA recebe mulheres e também homens que sobreviveram ao abuso. Muitas (o) delas (e) acabaram encontrando na prostituição e nas drogas a única saída para continuarem vivendo.
No projeto, no entanto, elas passam por atendimento social e psicológico e ainda recebem cesta básica mensal, nos casos de vulnerabilidade social. Quem quiser conhecer ou ajudar, pode conhecer o NOVA pelo site www.projetonova.com ou entra em contato com a missionária pelos números (67) 3324-4200; (67) 99974-8271 ou (67) 99248-7944.