Considerado o centro de lavagem de dinheiro e pagamento de propina da antiga gestão estadual, a Gráfica Alvorada mantinha contratos milionários com várias secretarias e autarquias do governo do Estado e também com a prefeitura de Campo Grande - na gestão do ex-prefeito Gilmar Olarte (sem partido) e com o grupo JBS.
Para o Ministério Público Federal (MPF) que ofereceu denúncia acatada pela 3ª Vara da Justiça Federal, que na quinta-feira autorizou a Polícia Federal a deflagrar a quarta fase da Operação Lama Asfáltica, a gráfica “aparenta ser um dos principais centros de recebimento de propina e lavagem de dinheiro da organização criminosa”, destaca trecho da decisão judicial que permitiu as prisões e conduções coercitivas realizadas na quinta.
Trecho da representação do MPF contra os investigados sustenta que documentos coletados entre a primeira e terceira fases da operação “demonstram que os serviços gráficos prestados pela citada empresa atendiam a vários órgãos do Governo do Etado de MS”.
Também cita que “no final de 2014 com o final do mandato do ex-governador André Puccinelli ocorreram diversas contratações de elevado valor envolvendo as áreas de educação, cultura e turismo”.
O documento enfatiza uma nota fiscal referente à compra de calendários intitulados “Conceição dos Bugres”, comprados por R$ 78,67 a unidade e livros de divulgação turística por R$ 120 cada um, além de custo de R$ 80 por kit de livro, postais e calendário. Os valores são considerados muito altos.
A relação com a prefeitura na gestão de Olarte foi identificada na compra de livros paradidáticos.
*Leia reportagem, de Lucia Morel e Natália Yahn, na edição de hoje do jornal Correio do Estado.