Cidades

retirada da favela

Demora na compra de materiais gera protesto de inscritos na Emha

São mais de 320 famílias que aguardam construção de casas

Redação

03/08/2017 - 16h19

Manifestantes bloquearam a BR-262, no trecho entre as saídas para São Paulo e Sidrolândia, por mais de duas horas hoje. O protesto gerou congestionamento de mais de um quilômetros em ambos os lados. O grupo de 50 pessoas cobrou da Prefeitura de Campo Grande celeridade no curso de capacitação em construção de residências e na compra de materiais.

Com a presença da Polícia Rodoviária Federal no local, por volta das 16h10, o trecho acabou liberado e o trânsito passou a fluir.

A principal questão que esse grupo reclamou é que 325 famílias foram retiradas da antiga favela Cidade de Deus, que ficava perto do aterro sanitário de Campo Grande, onde houve o bloqueio, e a construção de casas para a remoção delas está a passos lentos.

As famílias foram transferidas provisioriamente para barracos em cinco bairros: Vespasiano Martins, José Terual I e II, Bom Retiro e Jardim Canguru. Entre os manifestantes estavam pessoas dos bairros Canguru, Paulo Coelho Machado e Pedro Teruel.

Essa transferência delas aconteceu em abril do ano passado e houve atraso na construção de residências. Com a troca do Executivo municipal, houve nova negociação e a previsão é que as unidades habitacionais estariam prontas até 25 de dezembro.

A capacitação foi viabilizada por intermédio do Programa de Inclusão Profissional (Proinc), que tem parceria da Agência Municipal de Habitação (Emha) e Fundação Social do Trabalho (Funsat). O governo do Estado também entrou com parceiro para comprar o material de construção necessário.

Edileuza Luís, uma das líderes do protesto, disse que para as aulas práticas do Proinc não há material para ser utilizado e o curso está atrasado. "A única coisa que a prefeitura dá para nós é lona", criticou a ex-moradora da favela Cidade de Deus.

A reportagem do Portal Correio do Estado entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande e a Emha, responsável por viabilizar a construção das casas, divulgou que falta a Agência Estadual de Habitação finalizar o processo de aquisição de materiais de construção. para obter posicionamento, mas

"O diretor-presidente da Emha (Enéas Neto) tem participado de todas as reuniões com os moradores, respondido aos questionamentos e informando pessoalmente todos passos em direção à solução deste entrave", divulgou nota da agência.

CAPACITAÇÃO

A diretoria da Emha ainda informou que o curso do Proinc oferece bolsa de estudos de um salário mínimo, cesta básica e transporte para quem necessita. Foram distribuídas 160 vagas para membros das famílias da favela Cidade de Deus e quem decidir abandonar o curso, perderá a vaga.

Conforme a Emha divulgou, a aquisição de insumos e contratação de prestação de serviço atende a lei de licitação (nº 8.666) e há prazos legais a serem atendidos.

"A Agência Municipal de Habitação frisa que não irá incorrer no mesmo erro da gestão passada (de Alcides Bernal), independente de pressão política a serviço de interesses pontuais, que não sejam do bem coletivo", informou.

A transferência das famílias aconteceu na adminstração de Bernal e a construção de algumas casas foi paralisada por falta de pagamento à organização não-governamental (ONG) Mohrar. A entidade abandonou o canteiro de obras. 

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